08 de julho de 2026
Internacional

Médicos são suspeitos de terrorismo

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Londres - As investigações sobre a ameaça que levou as autoridades do Reino Unido a subir para o nível máximo o alerta terrorista no país levaram à prisão de oito pessoas até a noite de ontem, incluindo dois médicos de origem árabe. Um deles, Bilal Abdulla, é iraquiano e estava no carro em chamas que invadiu um terminal do aeroporto de Glasgow (Escócia), no último sábado.

A polícia acredita que o atentado em Glasgow tenha ligação com os dois carros-bomba desativados na sexta-feira, após terem sido encontrados em uma área movimentada da vida noturna de Londres.

Além dos dois ocupantes do jipe que atingiu o aeroporto escocês no sábado, outros cinco suspeitos foram presos no fim de semana, entre eles um outro médico. Ainda no sábado, em uma estrada do condado de Cheshire, no noroeste da Inglaterra, foi preso o médico jordaniano Mohammed Asha, 26 anos, e uma mulher de 27 anos, que a polícia acredita ser sua mulher. Ele trabalhava em dois hospitais de Telford, na mesma região.

No domingo foram presos dois homens de 25 e 28 anos, que a polícia não identificou, dentro do complexo hospitalar Royal Alexandra. Situado em Paisley, perto de Glasgow, é o mesmo hospital em que trabalhava o médico iraquiano Bilal Abdulla, que estava no jipe que atingiu o aeroporto. A sétima pessoa detida, um homem de 26 anos, foi localizado em Liverpool no domingo. A polícia não o identificou.

O site “Muslim News”, da comunidade islâmica do Reino Unido, citou colegas do suspeito dizendo que ele é um médico originário de Bangalore, na Índia.

No fim da noite de ontem a polícia anunciou a prisão de um oitavo suspeito, mas não revelou o local da detenção. Segundo a BBC, a prisão ocorreu fora do Reino Unido. Jacqui Smith, ministra do Interior britânico, elogiou a ação rápida da polícia, mas disse que o risco de um atentado continua alto.

Em um pronunciamento no Parlamento, Smith disse que o Reino Unido enfrenta “uma ameaça terrorista séria e consistente” e pediu ao público que permaneça alerta. Segundo ela, a polícia fez buscas em 19 localidades do país desde sexta-feira. No domingo, o recém-empossado premiê britânico, Gordon Brown, disse que “está claro” que pessoas “associadas” à rede terrorista Al-Qaeda estão por trás da ameaça.

Temendo novos ataques, a polícia britânica aumentou a segurança em torno dos aeroportos de todo o país e o governo manteve o alerta terrorista no nível “crítico”, o mais alto. Os últimos acontecimentos estão levando as autoridades britânicas a mudar novamente seus conceitos na luta contra o terror.

Dois anos atrás, a percepção sobre a maior ameaça terrorista em solo britânico mudou dramaticamente com os atentados suicidas que mataram 52 pessoas em Londres. Eles sugeriam que a maior ameaça não vinha do Exterior, mas de grupos internos.

Mudança de percepção

Agora, a percepção quanto à maior ameaça pode mudar de novo. Há claros indícios de que alguns dos envolvidos na trama atual são pessoas recentemente chegadas de países do Oriente Médio -e que alguns são profissionais da área de saúde. Isso parece sugerir que os potenciais terroristas conseguiram entrar no país aproveitando um sistema que busca encorajar médicos estrangeiros qualificados a trabalhar no Reino Unido a fim de aliviar a escassez de profissionais no Serviço Nacional de Saúde (NHS).

Se comprovado, o uso de especialistas médicos estrangeiros para missões terroristas talvez venha a resultar em uma revisão dos procedimentos de imigração de profissionais da saúde para o Reino Unido - e possivelmente para outros países, como os Estados Unidos.