09 de julho de 2026
Geral

Desempregado vira ‘marido de aluguel’

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 2 min

“Monto móveis, instalo chuveiro, conserto torneira, limpo caixa d´água, mexo no jardim... Faço os servicinhos mais fáceis, mas que muitos maridos não sabem fazer”, explica o desempregado José de Paulo de Cássia Silva, 32 anos, sobre sua nova empreitada profissional: marido de aluguel.

Ontem, Silva colocou pela primeira vez um anúncio nos Classificados do Jornal da Cidade oferecendo seus serviços. No começo da noite partiu para a primeira cliente, uma senhora que precisava ter o seu chuveiro instalado. Hoje tem agendado portas para serem colocadas. “Resolvi anunciar pequenos serviços porque sempre tem alguma pessoa precisando de algo”, diz. “Faço quase de tudo. Serviço hidráulico, elétrico, de marcenaria...”.

Há dois anos Silva morava em Campinas, onde trabalhava como operador de máquina. Perdeu o emprego e, sem conseguir recolocação no mercado, decidiu tentar a sorte em Bauru, onde vive com mãe, no Núcleo Mary Dota. “Procurei emprego em todas as empresas possíveis em Bauru... mandei currículos. O problema é que o mercado não quer mais pessoas de uma certa idade”, afirma. A solução para o sustento foram os bicos, até que surgiu a idéia do “marido de aluguel”.

“Já tinha ouvido falar disso e achei que podia funcionar”, conta. O conceito de profissional que faz tudo não é novo e existe em muitas cidades. No site de busca Google, digitar “marido de aluguel” resulta em aproximadamente 246 mil páginas sobre o tema possíveis. E não é só no Brasil que a prática existe. Há alguns anos em Nova York a rede de agências Rent-a-Husband (aluga-se um marido) oferece homens capacitados para trocar lâmpadas, consertar chuveiros, telhados e tudo o que o dono ou a dona de casa não têm ou não sabe como fazer pelo preço de US$ 25 por hora.

Silva não pensa em cobrar pelo seu trabalho da mesma maneira porque para ele cada tarefa possui um grau de dificuldade diferente. Um serviço que considera simples, como instalar um chuveiro, por exemplo, custa R$ 10,00. Como está começando, Silva ainda deve fazer “uma tabela” conforme forem surgindo as tarefas.

“Você tem que pôr em prática aquilo que aprendeu ao longo do tempo”, diz. “Eu não tenho esse negócio de não querer trabalhar. Eu vejo muita gente que reclama de não conseguir emprego, mas que também não procura”, completa. O telefone de Silva é 8139-8878.