Temos no Brasil uma grande mistura de raças que confundem qualquer critério de escolha mormente feito pela cor da pele. As discussões acadêmicas servem para aprimorar os meios de seleção, porém não resolverá a questão se não ampliarmos o foco de visão. Nós já estudamos outras experiências mundiais de implantação de sistema de cotas para negros, e estes não servem para o Brasil. Não serve para nós se continuarmos com uma lente objetiva. Veja por exemplo que as políticas sociais implementadas no país não são compatíveis com as condições culturais do país. A desigualdade social é o grande problema enfrentado pelo país até aqui sem solução; o que tem gerado uma gama infindável de violência, transmudada em ausência total do estado nas camadas mais pobres da sociedade. Tudo isso gera instabilidade. Sabemos que a cultura capitalista, deixará o rico cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre. A elite só se preocupa com essa realidade quando se vê tolhida de ostentar sua riqueza, não se preocupando que se todos tiverem mais um pouco, não se preocupará em arrancar a qualquer custa de quem tem, por não ter nada. Assim como a distribuição de renda é terrível no Brasil, temos que ver o sistema de cotas como um instrumento distributivo, que também deverá ser implementado ao pobre, que não atentos a este fato, dentro em breve irão provocar grandes problemas à economia, que vai bem obrigado.
O autor, Valdemir Pereira, é advogado e pós-graduando pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru, cuja tese de sua monografia é a “Instrumentalização do sistema de cotas através do mandado de injunção”