08 de julho de 2026
Regional

Expansão derruba preço da cana

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A expansão da lavoura de cana-de-açúcar, somada à precária logística do País para a exportação do álcool, fez com que o preço da tonelada do produto sofresse queda de 33%. A tonelada de cana comercializada na safra passada por até R$ 48,00, atualmente custa no máximo R$ 32,00 e respeita a lei da oferta e procura, afirma o presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú, Francisco Paulo Luiz Brandão.

Pelas previsões dele, o preço só ficará estável quando a logística de exportação do álcool for desburocratizada. “Estamos num período de amadurecimento. Cresceram as áreas plantadas e há muita oferta. Vamos conseguir melhores preços quando tivermos condições adequadas para exportação de álcool e açúcar. Eu acredito que isso vá acontecer em três anos.”

Na avaliação dele, o produto é competitivo e irá proporcionar vantagens econômicas. “O Brasil está recebendo investimentos de capital estrangeiro. O álcool é um combustível limpo que representa uma alternativa para o meio ambiente. A estabilização dos preços e a expansão do mercado são coisas certas.”

O sobe-e-desce no preço da tonelada da cana-de açúcar, na opinião do presidente da associação, só favorece os especuladores. “Essas curvas violentas (de preços) prejudicam todos os segmentos da economia. Os produtores e industriais acabam sofrendo e os trabalhadores também.”

Ele frisa que, na microrregião de Jaú, cerca de 80% das terras cultivadas já estão ocupadas pela cana-de-açúcar e que outras áreas, mais próximas de Bauru, estão ganhando novos canaviais, sinal de que os produtores estão apostando nessa cultura.

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Calças curtas

Os produtores apostaram e estão surpresos com a queda no preço da tonelada da cana-de-açúcar. Havia uma expectativa grande em torno do preço, apesar da expansão dos canaviais por conta dos incentivos que o governo estava dando, comenta o representante dos plantadores, Francisco Paulo Luiz Brandão. “Fomos pegos de calças curtas”.

Para ele, a situação é semelhante à que ocorreu com a soja. “Está se repetindo o fenômeno da soja, em que a tonelada chegou aos R$ 50,00 e depois caiu para R$ 20,00 de um ano para outro. Isso desestrutura todo e qualquer tipo de economia. Nossa expectativa era que os preços fossem mais ou menos iguais ao do ano passado ou pouco abaixo, mas não tanto assim”.

No ano passado se comercializava a tonelada de cana entre R$ 45,00 e R$ 48,00, dependendo da quantidade de açúcar na cana. “Hoje isso está na faixa de R$ 30,00 a R$ 32,00. A defasagem é grande e todos os anos os custos aumentam.”

Os reflexos na economia local são inevitáveis. “A circulação do dinheiro diminui, logicamente o comércio, a indústria e o setor imobiliário sofrem a influência da queda no preço da cana-de-açúcar”, sentencia Brandão.