08 de julho de 2026
Turismo

A arte em barro e talento

Daiana Dalfito
| Tempo de leitura: 2 min

Em Barra Bonita o rio Tietê oferece mais que turismo, navegabilidade, beleza e peixes aos moradores. Uma das principais atividades da cidade são as olarias e cerâmicas que enchem uma faixa do lugar com suas chaminés. A cidade ficou famosa no Estado pela boa qualidade de seus produtos feitos de barro, como telhas.

Mas é uma pequena oficina que realmente chama a atenção dos turistas que visitam a Barra. Entre as olarias está a cerâmica Sagrado Coração de Jesus ou, como diz a placa em frente à loja-oficina, “Oficina Cerâmica Corrêa”. Ali você também pode chegar perguntando pelo ‘seo’ Zé do Pote.

Os vasos, cachepôs, potes para água, objetos de decoração, luminárias e uma infinidade de produtos surgem das mãos de ‘seo’ Zé há 63 anos. Hoje, ele, com 77 anos, divide a oficina com os filhos e outros integrantes da família. Os trabalhos chegam a 400 modelos diferentes e todo o processo é feito na oficina, desde a preparação da argila, que é retirada do Tietê, até o acabamento das peças. Por dia, cerca de 200 unidades são feitas pelas mãos dos artesãos.

Os visitantes podem marcar visitas em excursões ou individualmente na cerâmica. Todos os objetos expostos estão à venda e os preços agradam aos bolsos, variando de R$ 5,00 a R$ 70,00. Além das compras, os curiosos podem acompanhar todo o processo de produção e, se der sorte, até experimentar a quenturinha do forno que queima as peças. Quando aceso e fechado, a temperatura atinge os 980ºC.

Engana-se quem pensa que a argila é simplesmente colocada sobre o torno e moldada. Antes é preciso misturar dois tipos de barro e retirar por meio de cilindros as pedras que podem estragar o trabalho e machucar as mãos do artesão. Depois no torno, os artesãos transformam um punhado de barro em obra de arte. Terminada a peça, ela vai para o forno e o cozimento se estende por dois dias, enquanto outros três são para resfriar a cerâmica. Só aí o acabamento é dado, dá-lhe lixa, tinta, verniz, pátina.

Para os mais atrevidos é possível vivenciar um dia de ceramista e ter a experiência de domar o barro “vivo” entre as mãos, no torno. Explica o ceramista Norberto Corrêa, que, dependendo da solicitação, pode moldar uma peça assim como o ‘seo’ Zé, em tornos montados exclusivamente para o visitante.

Certas peças produzidas na oficina do Zé do Pote tem um layout bem conhecido. É bem provável que, ao entrar na cerâmica, o turista sinta uma espécie de deja vu ao ver os vasos ornados por motivos florais em baixo relevo.