09 de julho de 2026
Bairros

Força de vontade é chave para os adultos voltarem às salas de aula

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Voltar a estudar costuma ser o maior sonho de quem abandonou as salas de aula. A necessidade de trabalhar, cuidar de filhos e manter uma família acabam tirando muitos jovens das escolas. E para voltar, é preciso muito apoio e força de vontade. Thaís Cristina Matos Sampaio, 22 anos, teve que abandonar os estudos na 8.ª série do ensino fundamental.

A necessidade de cuidar da filha, que estava para nascer, fez com que a adolescente deixasse o ensino médio para mais tarde. Agora, com a filha mais velha com 7 anos, ela pôde voltar a estudar no supletivo oferecido pela Escola Estadual Ada Cariani, no Núcleo Mary Dota.

“Tinha 15 anos e estava grávida. Tive que parar. Agora, meus dois filhos já estão maiores e eu consegui terminar o ensino médio”, conta. Mas não foi fácil. Além de ajudar nas lições dos próprios filhos, ela sempre voltava para casa com sua própria tarefa. Agora, ela pensa no futuro. “Quem sabe uma faculdade?”, planeja.

José Navarro Bonato, 50 anos, parou de estudar aos 14 anos. “Tive que começar a trabalhar”, lamenta. 40 anos depois, ele volta à escola, amparado por uma bengala. “Depois de tantos anos, é bem diferente. Culturalmente falando, mudou muito. E tirar todos esses ano de atraso foi a maior dificuldade”, revela.

Coordenadora do supletivo, Sueli Aparecida Zamboni Neres, destaca que o trabalho em equipe da escola é um diferencial na educação de jovens e adultos. “Oferecemos atividades diversificadas, que atraem o aluno. Aqui, eles encontram um ambiente aberto e bem dinâmico”, avalia.

Para a professora de artes Ana Maria Quinezzi, a diferença entre os alunos do supletivo e os do ensino regular, é a motivação. ”Eles estão aqui resgatando algo que foi perdido. E não só pelo mercado profissional, mas também para o enriquecimento intelectual”, aponta.

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Voluntária

Ciente que o curso que fez para o ensino médio não ofereceu uma formação adequada, Iracy Fendel Picoli, 70 anos, voltou à sala de aula. “Eu parei de estudar em 1956 e só voltei a aprender em 2002”, conta. Terminado o curso supletivo, ela não deixou a escola Ada Cariani. Venho todos os dias. Faço pouca coisa, mas acho que consigo ajudar”, diz.

No passado, aprendeu inglês, francês e latim na escola. Mas gostaria mesmo é de aprender alemão. “Meu pai era da Alemanha”, explica. Além do idioma, ela planeja prestar vestibular. “É difícil. Não tenho dinheiro para pagar uma universidade, então vou tentar entrar na Universidade Estadual Paulista (Unesp)”, conta. Ela só tem uma dúvida: não sabe se vai prestar vestibular para o curso de matemática ou física.