Londres - O premiê britânico, Gordon Brown, ordenou uma revisão urgente das normas de recrutamento de profissionais médicos do Exterior, depois que as investigações sobre ações terroristas em Londres e Glasgow levaram à detenção de oito estrangeiros que trabalharam no Sistema Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês).
Também ontem, as autoridades do país decidiram baixar o nível de alerta terrorista para “severo”, o segundo na escala que indica a iminência de um atentado. O alerta havia sido elevado para o nível “crítico”, o mais alto, depois que um carro em chamas invadiu um terminal de passageiros do aeroporto de Glasgow, no sábado.
A redução do alerta indica que foi concluída a primeira fase da investigação deflagrada na última sexta-feira, quando a polícia britânica desativou dois carros-bomba em Londres. A investigação foi ampliada no dia seguinte, após o atentado em Glasgow. Para a polícia, os dois incidentes faziam parte de um mesmo plano terrorista.
Ao justificar a redução do alerta, que significa o abrandamento das medidas de segurança em aeroportos e outros locais públicos implantadas nos últimos dias, a ministra do Interior, Jacqui Smith, afirmou que “não há inteligência” que indique a iminência de um novo atentado terrorista. Smith ressalvou que a decisão não significa que a ameaça desapareceu e pediu ao público que mantenha a vigilância sobre atividades suspeitas.
Enquanto a polícia tenta estabelecer o elo entre os oito detidos, todos muçulmanos que atuaram na área de saúde, Gordon Brown busca tornar mais rigorosa a seleção de profissionais estrangeiros para o NHS. Atualmente, 37% dos profissionais médicos que trabalham no Serviço Nacional de Saúde se formaram no Exterior.
Em sua primeira participação na tradicional sessão semanal de perguntas do Parlamento desde que assumiu o cargo, na quarta-feira passada, o premiê prometeu regras mais duras para a emissão de vistos a imigrantes qualificados, como médicos. Também anunciou a ampliação da lista de pessoas sob vigilância dos serviços de segurança sob suspeita de envolvimento com o terrorismo.
Apesar de o Ministério da Saúde afirmar que as normas de recrutamento de estrangeiros são adequadas, o choque na opinião pública causado pela suspeita em torno de médicos de países como Iraque, Jordânia e Índia levou o governo a rever seus procedimentos.
Os estrangeiros que trabalham em hospitais britânicos passam por uma série de checagens antes de poderem entrar no país. Entretanto, as autoridades do NHS responsáveis pela seleção muitas vezes têm problemas para obter informações sobre médicos de países instáveis. Dos 239 mil médicos trabalhando no país hoje, calcula-se que 5 mil são de países do Oriente Médio - mais de 1.900 do Iraque.