08 de julho de 2026
Internacional

Repórter é solto após 114 dias de cativeiro

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Gaza - “Era como se eu tivesse sido enterrado vivo.” Foi com essas palavras que Alan Johnston, 45 anos, jornalista da rede britânica BBC libertado ontem em Gaza, descreveu os 114 dias que passou em cativeiro. Ele foi seqüestrado em 12 de março pelo Exército do Islã, inspirado na Al-Qaeda e ligado a um clã local.

Logo após ser libertado, Johnston, magro e pálido, foi acompanhado por seguranças do grupo islâmico Hamas à casa do premiê palestino deposto, Ismail Haniyeh - que atualmente controla a Faixa de Gaza. Em seguida, antes de dar entrevistas, ele cortou o cabelo e fez a barba, para tirar a “aparência de recém-libertado”. “As últimas 16 semanas foram de longe as piores da minha vida”, disse o jornalista.

Johnston contou que viu a luz do sol apenas no primeiro mês de cativeiro e que tinha permissão para ouvir rádio e, dessa forma, conseguiu acompanhar os esforços para que fosse libertado. O jornalista afirmou que foi agredido fisicamente apenas uma vez, mas que recebia ameaças de morte e sofria torturas psicológicas.

Johnston, que deve retornar para o Reino Unido em breve, onde está sua família, disse que “não voltará tão cedo” a Gaza e tentará “ficar longe do perigo”. Durante a entrevista, ele agradeceu a seus colegas, ao povo palestino e ao grupo Hamas. “Eu sei que a liderança do Hamas colocou uma grande pressão sobre os seqüestradores. Se não fosse por essa pressão, eu talvez ficasse muito mais tempo naquele quarto”, afirma o britânico.

O Hamas, que recentemente conquistou a Faixa de Gaza expulsando o grupo Fatah, secular, considerou a libertação do britânico uma vitória política. Segundo Johnston, os seqüestradores pareciam “confortáveis” de início, mas ficaram nervosos com a tomada de Gaza pelo Hamas.

Desde que o Hamas conquistou Gaza, o grupo tem desmantelado clãs e pressionado pela libertação do jornalista. Para o ex-premiê palestino deposto, Ismail Haniyeh, do Hamas, “a libertação foi um momento de orgulho para os palestinos”. Mahmoud Zahar, outro líder do Hamas, disse que reforçaria a lei em Gaza. “É uma nova era. Não vamos permitir atividades ilegais contra ninguém.”

Países europeus e Israel saudaram a libertação do jornalista, mas autoridades afirmaram que ela não será suficiente para mudar imediatamente as atitudes em relação ao Hamas - considerado uma organização terrorista e boicotado pela União Européia, EUA e Israel. Alguns líderes pedem agora a libertação do soldado israelense Gilad Shalit, seqüestrado em Gaza há um ano. Haniyeh, porém, afirmou querer um “acordo que garanta a libertação de prisioneiros palestinos”.