Rio - A Polícia Federal prendeu ontem 34 pessoas e fechou cinco farmácias no Rio durante a Operação Hipócrates, realizada para desarticular uma quadrilha especializada no roubo e receptação de cargas de medicamentos. Entre os presos estão quatro policiais militares da ativa, um policial afastado de suas funções e dois empresários proprietários de duas redes de farmácias no Rio.
Segundo o delegado, Hilton Coelho, chefe da delegacia de repressão a crimes contra o patrimônio, a quadrilha atuava principalmente na rodovia Washington Luis (BR-040), roubando cargas de distribuidoras com a participação de funcionários das empresas. As cargas eram repassadas, segundo o delegado, a intermediários que as revendiam nas farmácias.
Foram fechadas três farmácias da rede Kiko’s em Botafogo (zona sul) e uma na praça Cruz Vermelha (centro), que pertencem a Márcio Fernandes. Na zona norte a PF fechou uma farmácia da rede Bem Viver na Vila Isabel, de propriedade de Luis Melo. Os empresários estão entre os presos.
De acordo com o delegado, os criminosos vendiam os medicamentos por até 50% do valor real. Entre os medicamentos estavam antialérgicos, estimulantes sexuais e analgésicos. Coelho não soube dizer o valor e o volume das cargas já roubadas pela quadrilha, mas disse que a soma passa os milhões de reais.
O delegado acredita que os criminosos atuavam a há pelo menos três anos no Rio. De acordo com o delegado, as farmácias tinham papel fundamental na quadrilha porque seria impossível roubar medicamentos sem ter onde vendê-los. Coelho ainda investiga se o grupo participou do furto de medicamentos de combate ao câncer do Instituto Nacional do Câncer (Inca).