Mal começaram as férias escolares de julho, época em que a criançada costuma aproveitar o tempo livre e o vento mais forte para soltar pipa, reaparece uma ameaça no céu de Bauru: o cerol, cortante à base de vidro moído e cola, usado irresponsavelmente na linha de pipa para cortar a linha do colega e, assim, derrubar a pipa dele. Ontem, por exemplo, a Polícia Militar (PM) fez mais de 20 apreensões de pipas com linha com cerol no Núcleo Gasparini e no Jardim Araruna.
Moradora do Gasparini, a dona de casa Lúcia Andrade Vieira teme por seu filho, que é motociclista. “É só começar as férias que também começam a surgir moleques com latinhas com cerol. Tenho medo pelo meu filho, que apesar da antena na moto, pode se cortar com uma linha destas. É perigoso para gente que anda na rua e para as próprias crianças, que podem cortar os dedos”, alerta.
Ontem, durante a Operação Envergadura na área da Base Comunitária Leste, os policiais recolheram muitas linhas com cerol. “O nosso alvo nesta operação é apreender armas e drogas e patrulhar os locais de grande fluxo de veículos, fazer abordagens visando reduzir os acidentes de trânsito, as vítimas. Mas também aproveitamos para apreender cerol”, explica o tenente Silmar Escarelli, comandante da Base Leste.
Apesar do porta-malas da viatura da PM quase ficar lotada com pipas contendo cerol, nenhum dos que faziam a perigosa brincadeira foi identificado. O tenente Escarelli explica que, ao perceber a aproximação da viatura, normalmente as crianças saem correndo. No mês passado, um motociclista foi ferido por linha com cerol em Bauru.
O vendedor Rogério Barbosa, 40 anos, andava com sua moto pelo Jardim Olímpico quando foi atingido no pescoço por uma linha com cortante. Ele teve um corte extenso, mas profundo apenas em um local. Em anos anteriores, o cerol provocou mortes em Bauru.