08 de julho de 2026
Nacional

Câmera flagra PM matar vigia a tiro

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - Um policial militar do Rio foi filmado por câmeras de vigilância de um posto de gasolina de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, matando a tiro um vigia após uma discussão. Outro PM que o acompanhava também aparece agredindo o vigia.

O cabo da PM André Luiz da Fonseca e o soldado Rodrigo Martins Pinto foram presos na terça-feira passada sob acusação do assassinato do vigia Rubineu Nobre, 29 anos. Foram indiciados por homicídio duplamente qualificado. O crime foi em 10 de fevereiro.

Desarmado, Nobre foi atingido por um tiro de pistola calibre .40 no peito, disparado pelo cabo Fonseca, depois de reagir, verbalmente, às agressões do policial, que estava acompanhado do soldado Pinto. Os dois são do 15.º Batalhão de Polícia Militar (Caxias).

Segundo testemunhas, Nobre levou vários tapas no rosto porque reclamou do tratamento que recebeu. A vítima disse que não era bandido após ter sido intimidado por Fonseca, que estava com um fuzil. De acordo com testemunhas, antes de atingir Nobre, Fonseca chegou a atirar no chão.

O inquérito afirma que Rubineu estava na garupa da moto de um amigo em um posto de gasolina, quando acabaram abordados pelos dois policiais, que decidiram revistá-los. Os PMs determinaram que os dois levantassem as camisas para verificar se estavam armados. Em seguida, Nobre e o cabo Fonseca iniciaram uma discussão, acompanhada por dezenas de pessoas, que terminou com o tirou do policial no vigia. O cabo Fonseca foi detido no mesmo dia. O soldado Pinto ficou em liberdade.

Doze dias depois, o cabo Fonseca conseguiu liberdade provisória na Justiça. A dupla voltou a trabalhar no 15.º BPM, internamente. Terça-feira passada, a juíza Anna Christina Fernandes, atualmente da 4.ª Vara Criminal, em Duque de Caxias, ordenou que os PMs fossem presos. A dupla responde a sindicância na PM, podendo até ser expulsa da corporação.

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), disse ontem que o PM que matou Rubineu é um “débil mental” e deve ser tratado como um assassino. Segundo o delegado titular da 59.ª Delegacia de Polícia (DP), André Drumond, apesar dos tiros terem sido dados apenas por Fonseca, o soldado Pinto, que estava junto, omitiu-se.

Em depoimento à polícia, Fonseca disse que atirou para se defender. O soldado Pinto confirmou a versão.

Segundo eles, Nobre se negou a descer da moto que ocupava, tirou o fuzil da mão de Fonseca e não parou de tentar agredi-lo quando foi advertido. De acordo com o inquérito, a versão não corresponde às imagens gravadas pela câmera do posto onde aconteceu o crime.