Brasília - A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça reconheceu dois ex-presidentes da União Nacional dos Estudantes (UNE) como anistiados políticos: Aldo Arantes e Jean Marc von del Weid. A decisão, por unanimidade, foi na sessão especial de ontem, em Brasília, realizada no 50.º Congresso da UNE.
O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão Pires Junior, ressaltou a importância da sessão em um congresso de estudantes por entender que é mais um passo na consolidação da democracia no país. “Eu acredito que com a realização dessas duas sessões especiais de ontem, no caso do Aldo Arantes e no caso do Jean Marc, ex-presidentes da UNE, dentro do Congresso da UNE, a sociedade brasileira tem que comemorar, porque isso é mais um passo na consolidação democrática do nosso País”.
Aldo Arantes, que presidiu a UNE em 1961, e ontem é membro da direção do PCdoB em Goiás, receberá a aposentadoria de procurador especial do Incra, com salário de R$ 10.497,50.
Segundo Aldo Arantes, a comissão deu uma demonstração de transparência ao julgar dois casos de ex-dirigentes da UNE perante os estudantes. “Saio satisfeito, e acho que é uma decisão que corresponde à reivindicação que eu coloquei e acho que foi uma decisão correta”.
Jean Marc, que presidiu a UNE em 1969 e foi demitido do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) em 1981, passa a receber mensalmente pela função de analista de suporte, com salário de R$ 6.221,71. Ele destacou que historicamente foi um ato emocionante, mas disse que irá recorrer da decisão sobre o valor do salário definido pela Comissão de Anistia.
Também anteontem, participantes do 50.º Congresso da UNE fizeram protesto em frente da sede do Banco Central. Eles pediram a saída do presidente do BC, Henrique Meirelles, e queimaram papéis simbolizando os “arquivos da ditadura”.