Professor, enquanto tiver condições físicas e mentais continue na ativa. Embora não possa produzir tanto quanto como era mais jovem, fique. Fique o maior tempo que puder! Até a aposentadoria compulsória quando a lei irá impedi-lo de continuar. Fique para o seu bem e de sua família. Vá levando. Pois enquanto estiver na ativa algumas vantagens e benefícios pecuniários como adicionais, bônus magistério, de gestão e gratificações sempre poderão ocorrer.
Porque quando você se aposentar entrará e conhecerá uma outra realidade, outra dimensão - a dos esquecidos, dos ignorados, daqueles que constituem um grande problema para os governos, pois absurdamente são considerados como um ônus à previdência social. Passará a pertencer à categoria dos “vilões” responsáveis pelos contínuos déficits previdenciários.
Tudo o que fizemos no passado, trabalho árduo e cheio de ideal, desbravador, caiu por terra não interessando aos do presente, como se aposentadoria fosse um fato que somente existiu no passado e que ninguém mais irá se aposentar. É a mesma história que estamos vivenciando presentemente quando a Secretaria da Educação informa a intenção governamental de, na impossibilidade da concessão de aumento “linear” para todas as classes do magistério conceder o aumento pela avaliação de desempenho por grupos e escolas.
Não houve a menor referência ao aposentado! Mais uma medida que certamente confundirá a opinião pública de que foi dado aumento aos professores pelo governo. Informação empolgante para amenizar as mazelas da educação que está há doze anos sem aumento real, área em que há um déficit de 246 mil professores, onde a violência de alunos tem vitimado e incapacitado colegas continuando impune. A propalada avaliação de desempenho para a concessão de aumento não é novidade, pois já a conhecemos de longa data.
Igual sistema já foi implantado no funcionalismo público estadual há vinte e cinco anos através dos conceitos “regular”, “bom” e “muito bom” atribuídos pelos chefes, com percentuais correspondentes e que consignavam o aumento Foi um fracasso pois as cotas recebidas da administração pelos chefes, não só na Secretaria da Educação como nas outras, eram insuficientes e muitas saídas eram procuradas para contorno das avaliações. As injustiças foram tantas, os descontentamentos tão gritantes e incontidos que o próprio governo acabou com o sistema. E a mesma história será repetida com a justificativa de que agora será diferente; as experiências do passado não são conhecidas ou foram ignoradas.
E, lamentavelmente nesse de aumento, mais uma vez, o aposentado ficará de fora. Como avaliar o aposentado? É necessário conceder um aumento ao aposentado? Ele precisa? Logicamente pela ótica que tem predominado ao longo dos tempos de alguns governos, a conclusão é, não! Já está aposentado mesmo e nada subiu, ele não precisa de remédios nesta fase da vida, a inflação está sob controle pois a única exceção é a da energia elétrica que escapou aos economistas chegando ao índice de 380% nos últimos dez anos, conforme o Caderno de Economia do Estado, de publicação recente.
E o mais triste é que o aposentado não tem como se manifestar, não tem vozes e se as têm, são em surdina. O aposentado continua como um “ilustre desconhecido” pois não possui meios de como incomodar.
Chego até a pensar absurdamente de que o aposentado, em um futuro não muito remoto, terá que se unir a uma força maior e organizada como o MST, parando pedágios, interrompendo avenidas e rodovias. Aí, então, será redescoberto e considerado!
Joaquim Eliseo Mendes - professor