08 de julho de 2026
Cultura

A nova arquitetura

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 2 min

A realidade vivida há anos nas metropoles já começa a ser estendida a cidades de pequeno e médio porte e centro regionais como Bauru, onde morar bem não significa necessariamente espaço. Na 21.ª edição da Casa Cor (no Jockey Club, em São Paulo), arquitetos, decoradores e paisagistas mostraram que, com criatividade e bons materiais, é possível morar em pequenos ambientes, de até 60 metros quadrados, sem abrir mão do conforto e do luxo.

“No Brasil, já falamos sobre apart-hotéis, flats, lofts, mas nunca se falou dos estúdios, que já são uma realidade em metrópoles como Nova York, Londres e Paris. A Casa Cor 2007 tem como objetivo antecipar essa tendência do segmento brasileiro”, avisa o diretor do evento, Roberto Dimbério no material de divulgação.

Além do melhor aproveitamento dos espaços, outras tendências foram observadas pelos profissionais de Bauru e região que viajaram à convite do Jornal da Cidade na última quinta-feira. Uma delas foi o caminho para a simplicidade, com ambientes intimistas e de poucos detalhes.

“A valorização está no ser humano. A Casa Cor comprovou que, para fazer um bom projeto, não é preciso gastar muito dinheiro. A arquitetura do possível é a palavra de ordem”, colocou o arquiteto Hedilvado Canho, presidente fundador do núcleo de Bauru do Instituto de Arquitetos do Brasil (Iab), atualmente presidido pelo arquiteto Paulo Braga Burgo.

O engenheiro Carlos Eduardo Assis, de Bauru, concordou com o arquiteto. “Ao contrário das outras edições, esta está muito mais prática, dentro da realidade. A decoração está com bem menos glamour e os ambientes, mais clean”, disse.

A valorização de todos os espaços por meio de uma iluminação eficiente e econômica foi o que mais chamou a atenção da arquiteta Fernanda Rodrigues Pereira, de Botucatu. “A iluminação destacou as cores e os tecidos de cada ambiente”, pontuou.

Ecológico

A preocupação com a escassez de recursos naturais também norteou a Casa Cor 2007. O arquiteto de Bauru Cláudio Berriel Ricci apontou o grande uso de materiais sintéticos ao invés de granitos e de cerâmica no lugar de madeira. “Nota-se que muitas marcas atualmente trabalham com sistemas hidráulicos que controlam o uso de água ou a reaproveitam”, acrescentou Ricci.

O reaproveitamento de materiais foi citado pela arquiteta Maria Teresa Pinho Meca, de Bauru. “Um aspecto interessante da Casa Cor foi a mistura de objetos antigos, o reaproveitamento. A tendência agora é a reciclagem. Comprar tudo novo para decorar um ambiente está na contramão”, afirmou.