11 de abril de 2026
Bairros

Eles vivem nos extremos

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru é conhecida há muito tempo como a ‘cidade sem limites’. O slogan surgiu em meados da década de 1950 para ilustrar o grande número de loteamentos que eram criados além da região central da cidade. Mas, ao contrário do que se pensa, Bauru tem limites, não só de fronteiras, onde se avizinha com Reginópolis (norte), Piratininga (sul), Agudos e Pederneiras (leste) e Avaí (oeste), mas populacional, ou seja, há bairros que guardam as fronteiras de Bauru.

Ao norte, o último bairro é o Residencial Nova Bauru. Depois há o limite de perímetro urbano e começa a Área de Proteção Ambiental (APA) do Córrego Água Parada. Isso significa que não há mais espaço para a cidade crescer além do Nova Bauru.

De acordo com a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), o município só tem possibilidade de crescer ao norte ao longo das rodovias, através das Zonas de Indústria, Comércio e Serviços (ZICS), que estão na proposta do Plano Diretor, em tramitação na Câmara Municipal.

No lado sul da cidade, o extremo é ocupado pelo condomínio Residencial Lago Sul, de alto padrão. Ao contrário dos demais bairros periféricos da cidade, o local é considerado estratégico por seus moradores, por causa da tranqüilidade. Além do Lago Sul está outra APA, a do Rio Batalha, ou seja, não existe mais possibilidade de expansão urbana.

A Seplan destaca, no entanto, que a APA está mais ao sudoeste da cidade. Ao sul, há uma pequena área para expansão do perímetro urbano, mas logo chega-se no limite de município com Agudos. Isso quer dizer que a principal possibilidade de crescimento também está limitada às ZICS.

Virando para a região leste da cidade, o extremo é o Parque Santa Terezinha, lugar pacato e um dos mais afastados da cidade. O bairro pode ser chamado de limite, já que o espaço que falta para chegar à divisa com Pederneiras é muito pequeno.

A possibilidade de qualquer ocupação no espaço que falta é zero, já que, além do bairro, está uma área que pertence ao Instituto Lauro de Souza Lima, o que significa que os moradores locais não terão companhia mais ao leste. “A restrição é pela propriedade do imóvel, mas também temos as ZICS e o Distrito Industrial”, aponta a arquiteta Maria Helena Rigitano, coordenadora do Plano Diretor de Bauru.

Fechando os pontos cardeais, na região oeste fica um dos bairros com mais problemas de Bauru, o Parque Val de Palmas. A expansão do perímetro urbano não é possível, já que o bairro está localizado no limite com a APA do Rio Batalha. Além disso, o Val de Palmas é um dos bairros que sofrem com a falta de estrutura e com a especulação imobiliária. Até o ano passado a Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) possuía ações de reintegração de posse no local, onde 115 lotes foram invadidos.

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Demandas

Com exceção do Residencial Lago Sul, que já conta com toda infra-estrutura necessária para seus moradores, os demais bairros enfrentam os problemas de quem vive nas periferias das cidades. Há coisas boas, mas há algumas que ainda deixam a desejar para os moradores.

A arquiteta Maria Helena Rigitano, que coordenou o Plano Diretor de Bauru, aponta algumas das principais demandas que foram levantadas durante a elaboração do Plano, que contou com delegados das diversas regiões da cidade. Segundo ela, o Nova Bauru conta com boa infra-estrutura, mas é afetado pelos problemas de bairros vizinhos, como a Pousada da Esperança, como ausência de guias, sarjetas, queixas e pavimentação. “No caso do Nova Bauru, a grande demanda é por áreas de lazer”, afirma.

Indo à leste, para o Parque Santa Terezinha, as principais demandas observadas pela arquiteta é com relação aos serviços públicos. Segundo ela, por ser um bairro isolado, os moradores precisam se deslocar aos bairros vizinhos para ter acesso aos principais serviços. “A reclamação lá é o isolamento”, comenta. Por ser uma região com poucos moradores, a demanda é considerada pequena e não justificaria a implantação de serviços que já existem em bairros vizinhos.

Do outro lado da cidade, o Parque Val de Palmas pode ser considerado um dos mais problemáticos, principalmente em relação à pavimentação. Guias, sarjetas e galerias são preocupação que atingem a população do local, mas a previsão para solucioná-las não existe, pelo motivo de sempre: falta de recursos.