08 de julho de 2026
JC Criança

Marcha, soldado!

Daiana Dalfito
| Tempo de leitura: 3 min

Batalhão do JC Criança, seeeentido e marche! Amanhã é feriado, dia de ir para o clube, jogar videogame com os amigos e curtir um cinema. Mas você sabe por que o 9 de julho é comemorado aqui em São Paulo e não em outros Estados do País?

Acertou quem disse “Revolução Constitucionalista de 1932”. Este nome grande é para dizer que em 1932 o Estado de São Paulo entrou em guerra contra o Governo Brasileiro. Na época, o presidente da república era Getúlio Vargas, que tinha derrubado a Constituição de 1881, o conjunto de leis que regrava os País. Getúlio governava sozinho, não havia deputados, senadores e nas cidades os vereadores foram mandados para casa. Era um regime de ditadura.

Naquele tempo, não era a cana-de-açúcar que fazia parte das paisagens do Interior de São Paulo. O forte eram as plantações e exportações de café e, por isso, São Paulo alternava a indicação dos presidentes do Brasil com o Estado de Minas Gerais. Essa troca de presidentes recebeu o apelido de “Café-com-Leite”. “Café”, porque São Paulo era o maior produtor do grão no País, e “Leite”, porque Minas Gerais era forte na produção de laticínios como o queijo, o doce de leite e o próprio leite.

Quando Getúlio Vargas assumiu o poder, ele resolveu acabar com as indicações dos presidentes por São Paulo e Minas e instalou interventores em todos os Estados do Brasil. Os interventor nomeado para governar São Paulo não foi um paulista. Pronto! Todo mundo que vivia aqui no Estado ficou revoltado: São Paulo não podia mais indicar o presidente, o Brasil não tinha mais Constituição e um “forasteiro” comandava São Paulo! Era demais!

No dia 23 de maio, um grupo fez manifestações contra o Governo Vargas e para defender São Paulo quatro estudantes morreram: Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade. Os jovens ficaram mais conhecidos como MMDC. Com as mortes começou a revolução em 1932.

Em 1932, os paulistas queria elaborar uma nova Constituição, ou seja, um novo conjunto de leis para o País. Segundo a professora do ensino fundamental Sueli Cavassani Rosa, apenas dois anos após o levante paulista é que uma nova Constituição começou a valer.

Até que isso acontecesse, muita gente morreu. A Revolução Constitucionalista propriamente dita durou de 9 de julho até 2 de outubro de 1932 e, de acordo com a professora, mais de 600 paulistas morreram em combate, muitos deles voluntários. O Governo Vargas foi quem ganhou a batalha, mas São Paulo não saiu perdendo, já que alguns pedidos foram atendidos.

O aluno da 4ª série A2 do Colégio Seta Lucas Sanches dos Santos Tosati, 10 anos, lembra que as novas leis garantiram o voto das mulheres, a jornada de trabalho de oito horas e o 13º salário.

Renato Matheus Mendes Fakhoury, também da 4ª série, disse que este ano foi a primeira vez que ele ouviu falar sobre a Revolução de 32 no colégio. “Eu achei legal. Apesar do Getúlio Vargas ter ganho, o povo paulista atingiu um pouco de seu objetivo, que era conseguir uma nova Constituição” avalia.

Para Lucas foi legal saber mais sobre a revolução. “Eu não conhecia essa história. Os paulistas conseguiram parte de seus objetivos, mas não precisavam ter matado tanta gente assim”, opina.

A professora Sueli explica que Getúlio Vargas, após o final da Revolução, disse que a nova Constituição já estava sendo elaborada. O presidente ainda chegou a homenagear os paulistas e sua “guerra” dando o nome “9 de julho” a uma das importantes avenidas de São Paulo, Capital.