Jean-Baptiste Grenouille nasceu no lugar mais fétido da Paris do século 18 e era uma criança sem cheiro. Essa peculiaridade fez com que ele fosse uma criatura assustadora para as outras pessoas ou, simplesmente, passasse despercebido. No correr de sua vida, aprendeu a criar perfumes e usar as fragrâncias de acordo com o sentimento que desejava inspirar nas pessoas com quem se relacionava.
Grenouille é personagem de um romance alemão da década de 80, escrito por Patrick Süskind. O livro, surpreendente em seu decorrer (e especialmente no desfecho) virou filme e traz no nome seu principal mote: “O Perfume”. Aqui, não interessa mais falar sobre a obra, mas sim sobre o fascínio que as essências exercem sobre as pessoas.
Nosso olfato está intimamente relacionado ao instinto primal de sobrevivência, em que os odores despertam sensações de alerta ou tranqüilidade, conforto ou incômodo, entre outras. Os perfumes, assim como outros cheiros, são inalados junto com o ar e estimulam os receptores olfativos que, por sua vez, geram impulsos elétricos que agem sobre o sistema límbico, no cérebro.
Essa região cerebral traduz os estímulos olfativos em respostas positivas ou negativas de acordo com as experiências de cada pessoa. Os cheiros, sejam de perfumes ou não, podem recriar em nossas mentes emoções e experiências. Aí o poder das fragrâncias. No livro de Süskind, Grenouille quer um perfume perfeito capaz de inebriar e apaixonar as pessoas.
Segundo a gerente de marketing d´O Boticário, Tatiana Moraes de Oliveira Ponce, os primeiros registros históricos sobre a arte da perfumaria e suas técnicas datam da Antigüidade. Os primeiros a extrair óleos naturais de flores foram os egípcios e, posteriormente, suas técnicas foram aperfeiçoadas pelos franceses na cidade de Grasse, durante o século 19.
A primeira forma de extração foi a ‘enfleurage’, por meio do que pétalas de flores eram expostas a uma camada de gordura animal até que esta ficasse saturada com o odor da planta. A “pomada” resultante era então lavada com álcool e filtrada para que o óleo essencial fosse separado da gordura.
A ‘enfleurage’ foi gradativamente sendo substituída por outras técnicas, hoje nenhuma empresa a utiliza mais, mas há pouco tempo ela era empregada na obtenção de produtos de alto luxo. Segundo Ponce, O Boticário resgatou a ‘enfleurage’, substituindo a gordura animal por vegetal. A técnica se destina à obtenção do óleo essencial de lírios, 100% puros. O óleo é utilizado na preparação do primeiro ‘eau de parfum’ da marca nacional, o Lily Essence.