Mesmo tendo elevado grau de deficiência auditiva e sendo completamente cego, o estudante de pedagogia Cristian Elvis Fernandes, de 31 anos, supera esses e diversos outros obstáculos (físicos e de saúde) na busca do sonho de estudar e poder ajudar outros portadores de deficiência. Mas para conseguir o objetivo de representar o País na 14.ª Conferência Mundial de Educação e Surdocegueira, que será realizada na Austrália em setembro, ele não poderá contar apenas com a força de vontade; ele precisa de colaboração.
Prestes a se tornar pedagogo, Fernandes é membro da Associação Brasileira de Surdocegos (Abrasc) e do Grupo Brasil de Apoio a Surdocegos e ao Múltiplo Deficiente Sensorial. Com participação ativa nas entidades, ele foi escolhido para ser o representante brasileiro no congresso (de uma semana de duração) que, de quatro em quatro anos, discute mecanismos de educação para deficientes, divulga experiências bem sucedidas e avanços na área. Há trabalhos expostos por mais de 100 países participantes.
“A expectativa é grande em representar meu país. Maior ainda é a chance de me capacitar, trocar experiências na área e trazer para a nossa realidade”, aponta o rapaz que nasceu com deficiências congênitas por ser fruto do casamento entre primos de primeiro grau.
No entanto, existe um entrave financeiro para que a expectativa possa se realizar. Como as entidades não têm condição de patrocinar a viagem, ele precisa captar fundos para passagem aérea, alimentação e estadia até o início do próximo mês. Nos seus cálculos são necessários US$ 8 mil para que ele e a sua guia/intérprete possam se deslocar até o outro lado do globo. “Conseguimos levantar mil dólares até agora, por isso precisamos do apoio da sociedade”, faz o apelo, ressaltando que, caso não consiga levantar a verba, não participará do encontro.
Além de ser surdocego, Fernandes têm o tato prejudicado em virtude de diabetes e também luta com problemas cardíacos desde o nascimento. Ele quer se tornar doutor e ajudar a melhorar as condições dos colegas. “Não é apenas pela falta de um sentido que a pessoa deve desistir de seu sonho. Com apoio da sociedade e da família, podemos ultrapassar qualquer barreira”, dá o recado.
Os interessados em fazerem doações podem ligar para (14) 3276-2190 ou depositar a quantia na poupança 0129658-2, agência 013-2, do banco Bradesco.