08 de julho de 2026
Geral

‘Comprei o automóvel de um morto’

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Imagine a situação. Feliz da vida, depois de muita luta e esforço, você realiza o sonho de comprar um “carrinho” usado. E, para a alegria ficar completa, dirige-se ao órgão responsável de trânsito a fim de transferir o veículo para seu nome. Entretanto, qual não seria sua surpresa, e ao mesmo tempo decepção, ao descobrir que a transferência seria impossível em virtude do dono já não pertencer mais ao mundo dos vivos, ou seja, estar morto!

Pois foi justamente essa a experiência vivida pelo metalúrgico bauruense Fernando Carvalho, que não a teria sofrido se tivesse tomado uma série de cuidados, como consultar as condições administrativas do carro junto ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran), na hora de adquirir o veículo.

O descuido custou caro a Carvalho, que teve de amargar um enorme prejuízo com a negociação e, ainda, ficar sem o carro. O “calvário” do metalúrgico começou há cerca de um ano, quando adquiriu um Corcel II em um feirão. “O veículo não estava no nome do antigo proprietário, pois tinha sido vendido para um terceiro, de quem comprei”, conta.

Ávido para transferir o carro para seu nome, Carvalho dirigiu-se a um despachante para efetuar o serviço, que foi quem lhe revelou a notícia de que o veículo era de propriedade de uma pessoa que já tinha morrido. Com isso, o metalúrgico chegou, sem sucesso, a tentar acordo com uma herdeira do ex-dono para efetuar a negociação. E, para piorar, Carvalho também foi surpreendido pela existência de inúmeras multas pendentes sobre o veículo.

Com um carro cheio de dívidas e sem ter a possibilidade de tornar-se o dono oficial do bem, o metalúrgico não teve outra alternativa: depois de adquirir o carro por R$ 2 mil, vendeu o automóvel, por R$ 800,00, para um ferro-velho, sofrendo um prejuízo de R$ 1,2 mil Carvalho resume sua “saga”.

“No ato da compra, não peguei o número do Renavam e não consultei o Detran para ver se havia multas. E o recibo do carro estava no nome de um defunto e tinha mais de R$ 500,00 de multas. Quando fui transferir, a pessoa tinha que assinar o recibo, mas como ia fazer para o antigo dono fazer isso, uma vez que ele já tinha morrido? E, como para fazer a documentação ia gastar mais que o valor do carro, a única opção que restou foi vender para o ferro-velho por R$ 800,00”, recorda Carvalho.

Já “escolado” com o “tombo”, o metalúrgico garante que, depois do ocorrido, passou a ser mais cuidadoso na hora da compra de um usado. “Passei a ser mais precavido e agora só compro depois de checar junto ao Detran. Aprendi a lição”, enfatiza.

Placa de fora

A falta de atenção com as precauções a serem tomadas no ato da aquisição de um usado também prejudicou o casal bauruense Luis Carlos Cardoso e Rosa Maria. Sem saberem, financiaram em 36 meses a compra de um Celta 2001 em um estacionamento de um município da região, que, além de já ter se envolvido em um acidente de trânsito, possuía duas multas.

“A placa era de Brasília e não sabíamos que ele tinha tido uma batida forte. Quando compramos o carro, não chegamos a olhar no Detran se ele contava com alguma multa, pois quem nos vendeu bateu no peito dizendo que eventuais pendências correriam por conta deles. Confiamos nele e nos demos mal, pois posteriormente viemos a saber que o automóvel tinha duas multas”, lamenta Cardoso. “Se tivéssemos olhado as multas no órgão de trânsito, provavelmente teríamos desistido do negócio”, completa Rosa.

Além disso, o casal sustenta que o valor de revenda do veículo caiu demais em virtude do fato de já ter sido batido. “E ainda estamos pagando um bem que daqui a pouco não vai estar mais valendo nada. Da próxima vez tomaremos mais cuidado”, conclui Cardoso.

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Seguro inviável

Segurar um automóvel usado nem sempre será um bom negócio. Isso porque, conforme explica o corretor Edson Aparecido de Almeida, quanto maior a idade de um veículo, mais caro será o valor da contratação do serviço. “Um Gol 94, por exemplo, sairia muito mais caro do que um 2007 com o mesmo perfil de proprietário. Por isso, dependendo dos modelos, como picapes antigas e veículos fora de linha, torna-se inviável fazer seguro”, ressalta

Almeida explica que, conforme o modelo, carros com até dez anos de fabricação ainda são viáveis de serem segurados. “Mais do essa idade fica ruim e compensaria fazer apenas o seguro de terceiros e resguardar os danos de outros carros. Porque se ele comparar o seguro total do carro mais a franquia, o seguro poderá ficar alto”, enfatiza.