“Ninguém precisa entender de mecânica para comprar um carro usado. Basicamente, basta saber se o veículo está ou não apresentando características diferentes da normalidade”. É o que considera o engenheiro mecânico e colunista do AutoMercado & Cia, Marcos Camerini, ao comentar uma das partes mais importantes que devem ser levadas em conta na hora da avaliação de um automóvel já rodado.
Para Camerini, os compradores não devem “esquentar” a cabeça procurando desvendar os reais problemas da parte mecânica. “Mecânica é com mecânico. Se você tem seu carro e, se ele estiver bom, já é um parâmetro. Basta utilizá-lo como base e ver se o outro está melhor ou pior. É algo bem prático”, resume o engenheiro, que destaca a importância do teste de direção para sentir o veículo.
“Nessa hora não precisa ter pressa. A pessoa deve rodar uns dez minutos na cidade com o carro pretendido, fazendo o caminho que está acostumado com seu carro avaliando se o automóvel que quer adquirir é melhor, igual ou pior que o carro dele. E, se possível, é recomendável ir para uma estrada para checar o comportamento do carro acima dos 80 km/h a fim de ver se não está vibrando ou fazendo barulhos estranhos”, orienta Camerini.
O engenheiro também dá outras dicas que devem ser observadas durante o “test-drive”, como o equilíbrio da direção e dos freios. “O motorista deve sentir se o carro está puxando para algum lado, o que pode ser apenas um problema de alinhamento, mas também suspensão com componentes tortos ou amassados, o que é mais grave. Precisa verificar também se os freios acionados puxam o veículo para algum lado, se o motor está acelerando bem e não está engasgando. Por fim, deve atentar-se aos barulhos, como o de escapamento furado, e se não há nada batendo ou solto”, ensina.
Visual chamativo
Apesar de pregar não ser necessário entender de mecânica para comprar um usado, Camerini destaca também que muitos consumidores deixam-se impressionar pelo visual do veículo e negligenciam as análises mecânicas, descuido que pode render muitas dores de cabeça e, principalmente, custar caro ao bolso.
“O pessoal costuma olhar só a lataria, que é a parte mais exposta e vêem que o carro nunca foi batido e que a pintura está boa, e acredita que a mecânica está boa. Mas não é só isso que se deve vistoriar em um automóvel. Às vezes, para se fazer uma repintura completa gasta-se R$ 1 mil enquanto que a troca de um câmbio ou motor pode-se chegar ou ultrapassar os R$ 3 mil”, alerta.
Camerini também ressalta a importância de avaliar se o carro atende às necessidades do comprador. “O consumidor não deve forçar a barra adquirindo um carro pequeno só porque é mais econômico ou barato. Por exemplo, não se deve pensar em ter um veículo 1.0 se você irá usá-lo para viajar freqüentemente lotado de carga e pessoas. Às vezes, pode valer a pena comprar um veículo um pouco mais potente para atender suas prioridades. É o que eu faria, mesmo custando um pouco mais”, sustenta, para depois finalizar:
“Maior potência não significa mais consumo. Com mais potência tem-se mais força disponível e não precisa andar com o pé atolado no acelerador. Em casos assim, com uma casquinha no acelerador o carro já sai andando bem, enquanto o outro precisa sair cambiando mais.”
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Condições de pagamento
Além da atenção com a parte mecânica, é preciso ter cuidado redobrado na hora de fechar o negócio com as condições de pagamento. “Somos influenciados pelas empresas e pelo comércio a consumir mediante as ‘maravilhosas’ formas de pagamento, fantásticas promoções e propagandas que aguçam nossa vontade de comprar. Somos manipulados por campanhas agressivas de marketing que não nos deixam analisar as condições de pagamento que realmente estamos contratando”, avalia o consultor financeiro e presidente da Boriola Consultoria, Cláudio Boriola. E acrescenta:
“No final, contratamos serviços e planos que não queríamos. Por isso, é necessário verificar com cuidado os aspectos que compreendem o negócio, entre os quais as condições de pagamento, se a compra não for à vista, tendo em mente as altas taxas de juros aplicadas sobre cada parcela”, alerta Boriola.
Normalmente, as empresas responsáveis pelas vendas de veículos oferecem grandes promoções para modelos básicos. Neste caso, orienta Boriola, todos os itens que não cabem no pacote e são vendidos separadamente do carro devem ser listados na nota fiscal, o que garante ao consumidor uma possível troca em caso de defeito.
Outra orientação do consultor é em relação a compra de veículos pela Internet ou em leilões. “É fundamental que o consumidor verifique todos os detalhes da compra, como o nome da empresa que está comercializando e os dados do veículo, além de consultar a documentação nos órgãos de trânsito para que não venha ser uma compra frustrada no futuro”, recomenda.
Da Redação