08 de julho de 2026
Geral

Oficina de dança forma ‘pés-de-valsa’

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

“Foram só dois meses de aula, mas aprendi tanto que parece que demorou um ano”. Foi desta forma que o aposentado José Antônio Nascimento, 61 anos, classificou a Oficina de Dança de Salão do Jardim Bela Vista, encerrada ontem com a diplomação dos participantes.

Além de Nascimento, outras 70 pessoas participaram da oficina. Inicialmente, o curso deveria atender apenas alunos com mais de 50 anos, mas a presença de netos e outros acompanhantes nas aulas ampliou a faixa etária. “Eu tive três gerações dançando aqui dentro”, disse a professora Eliane Polezi Siqueira, 45 anos, pouco antes da cerimônia de formatura dos alunos, no Centro de Convivência do Idoso (CSU), no Jardim Bela Vista, onde foi realizada a oficina.

Antes do curso, Nascimento conta que apenas “enganava” dançando vaneirão, um tipo de dança mais simples, com poucos passos. Agora, já arrisca danças mais complicadas como samba, bolero e lambada, que ele classificou como a mais difícil. “A lambada tem mais passos que as outras”, citou Nascimento, que não perdeu uma aula sequer. Da casa dele, no Núcleo Geisel até o Jardim Bela Vista, leva quase uma hora de ônibus.

Para o casal de namorados Leonice Alves Grandini, 69 anos, e José Fascina, 76 anos, aprender samba foi a tarefa mais prazerosa durante o curso. Leonice já sabia alguns passos, mas o namorado não sabia nada. “Eu só sabia dançar rancheira”, lembra ele. Agora, o que Fascina menos dança é rancheira. “Antes, eu dava nota 10 para ele. Agora, dou nota 5”, brinca Leonice. “Pode parecer mentira, mas eu esqueci um pouco como se dança rancheira”, justifica Fascina.

Todo fim-de-semana, eles saem para dançar. A oficina ajudou a aproximá-los, porque agora podem dançar diferentes ritmos. Além de se sentir mais disposto para os bailes, Fascina comenta que também passou a se sentir melhor fisicamente.

O aspecto físico também foi lembrado pelo casal José Delarmelindo, 60 anos, e Santa Esteves Delarmelindo, 54 anos, moradores do Parque Hipódromo. “Agora, além da caminhada, a gente também se exercita dançando. E isso é muito importante”, ressalta ela. O contato com outras pessoas também foi apontado pelo casal como outro ponto positivo proporcionado pela oficina. “Além de aprender a dançar, fizemos amigos”, diz Leonice.

Se aprender samba foi o que mais deu prazer para o casal Fascina e Leonice, o mesmo não pode ser dito no caso do casal José e Santa Delarmelindo. Para eles, essa foi a parte mais difícil do curso. “Mas sou brasileira e não desisto nunca. Ainda vou aprender a dançar bem a dança mais popular do meu País. Já sabemos os passos, agora só precisamos praticar”, diz Santa. Por outro lado, a valsa foi o ritmo que melhor foi assimilado pelo casal.

Além de valsa, samba, lambada e bolero, a Oficina de Dança de Salão do Jardim Bela Vista ensinou ainda o forró tradicional (o velho arrasta-pé), forró universitário e o rock’n’roll. Ao todo, o curso teve 48 horas de duração.

Vontade e disciplina

Segundo a professora Eliane, a principal exigência para quem quer aprender a dançar é ter vontade. Em segundo lugar, é preciso ter disciplina. “Tem de ter hora de chegar, de descansar e de ir embora. No começo do curso, as pessoas sentavam o tempo todo. Não pode. Tem de dançar até aprender”, ensina Eliane, que dá aulas de dança de salão há 27 anos.

A oficina foi organizada pela Secretaria de Estado da Cultura e teve o apoio da Secretaria de Cultura de Bauru.