08 de julho de 2026
Geral

Evento reuniu multidões e marcou época

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Entender a dimensão do Festival das Águas Claras pode ser difícil para as pessoas com menos de 30 anos de idade, tamanha a oferta de shows nos dia atuais. Nos anos 70 e 80, porém, eventos musicais de grandes proporções eram raros no Interior.

“Aquela foi a maior reunião musical realizada no País até então”, assegura Antônio Checchin Júnior, responsável pela organização do evento. Alguns podem considerar a afirmação exagerada, mas na verdade não é: em suas quatro edições, o festival conseguiu trazer figuras lendárias da música popular brasileira - como Os Mutantes, Gilberto Gil, Luiz Gonzaga, João Gilberto e Raul Seixas - a uma região onde eventos dessa natureza eram raros.

Não por acaso, Águas Claras recebeu públicos imensos em suas quatro edições. Em 1975, por exemplo, Checchin Júnior (também conhecido como Leivinha) acreditava que pouco mais de 3 mil pessoas viessem ao festival. “Quando chegou o dia, apareceram 20 mil”, recorda.

Um dos fatores que mais contribuíram para o sucesso do evento foi o eficiente sistema de divulgação bolado pelos organizadores. “Procuramos o auxílio de todos aqueles que pudessem exercer algum tipo de influência entre os jovens, nas cidades situadas em um raio de 200 quilômetros de Iacanga”, explica Checcin Júnior.

Na medida em que esse trabalho de corpo-a-corpo avançava, o evento passou a ganhar notoriedade. “Quando faltavam duas semanas para o início dos shows, a Rede Bandeirantes nos procurou querendo fazer a cobertura do evento”, diz Leivinha.

A emissora veiculou propagandas do evento e os shows foram um verdadeiro sucesso. Nos festivais seguintes, a presença da TV foi ainda mais intensa e o público veio em peso. Foram mais de 100 mil pessoas na edição de 1981. Eduardo Pinto, que trabalhava comercializando alimentos no local, recorda-se bem dessa multidão. “A gente não dava conta de fazer macarrão para todo aquele pessoal”, garante.

Em 1983, em decorrência das chuvas, o comparecimento do público foi bem menor que o esperado. Ainda assim, mais de 50 mil pessoas se dispuseram a enfrentar a lama da fazenda Águas Claras para acompanhar as apresentações musicais. “Era tanto barro que o Erasmo Carlos e o João Gilberto precisaram ir de trator até o palco”, diz Checchin Júnior.

Na última edição, realizada no ano seguinte, o festival já dava sinais de haver perdido o antigo vigor. “Chegaram para mim e disseram: ‘Poxa, esse ano foi um fracasso. Vieram apenas 40 mil pessoas’”, recorda-se Leivinha. Na época, a população de Iacanga beirava os 6,6 mil habitantes.