10 de julho de 2026
Nacional

Denúncias reacendem pressão pela privatização dos bancos estaduais

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Dez anos depois do lançamento do Proes - programa de socorro financeiro aos bancos estaduais que consumiu R$ 62 bilhões dos cofres públicos para sanear essas instituições -, as recentes denúncias de desvio de dinheiro envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e a Nossa Caixa mostram que a ingerência política não acabou e reacenderam na área econômica o movimento pela privatização desses bancos.

A tese, porém, esbarra no PT, que sempre foi contra a privatização. Na contramão dessa corrente, inclusive, o partido e as demais siglas aliadas ao governo têm conseguido aumentar o loteamento das instituições controladas diretamente pela União, como Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal. A repolitização dos bancos federais gera insatisfações entre os servidores concursados.

No BB, um grupo de funcionários enviou uma carta anônima ao ministro Guido Mantega (Fazenda) pedindo que ele revisse a indicação de Milton Luciano dos Santos para a vice-presidência de Varejo e Distribuição - atribuída ao presidente do PT, Ricardo Berzoini.

Ele foi condenado a dois anos de prisão por uma operação de crédito feita em 1991 e considerada irregular, mas a pena foi substituída por trabalho comunitário e, em seguida, suspensa porque o crime já havia prescrito. Mantega não se manifestou sobre o assunto, e o BB considera o caso encerrado.

Na Caixa, a disputa política extrapolou as indicações dos nomes e chegou às atribuições de cada um para evitar fortalecimento de alguns aliados e enfraquecimento de outros.

Enquanto nos bancos federais a preocupação é que o loteamento político abra espaço para maior ingerência do controlador a ponto de comprometer o resultado da instituição ou, ainda, favorecer aliados, nos bancos estaduais a situação está mais avançada. No BRB, graças às relações com o ex-presidente da instituição Tarcísio Franklin de Moura, o ex-governador Joaquim Roriz conseguiu descontar um cheque de R$ 2,23 milhões do BB.

Um esquema desvendado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Distrito Federal desviava recursos do banco por meio de contratos sem licitação com a Asbace, a associação dos bancos. O Ministério Público investiga esquema parecido no paulista Nossa Caixa.

Depois do escândalo, o governador do DF, José Roberto Arruda, foi negociar com o Banco Central a venda do BRB. O banco é um dos seis que permaneceram sob controle estadual depois da onda de intervenções, liquidações e privatizações desencadeada com o Proes, a partir de 1997, e foi o único que, na época, não recebeu dinheiro do governo federal para ser saneado.