09 de julho de 2026
Nacional

Harry Potter encara a vida adulta

Por Jéssika Torrezan | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Com raiva do mundo, achando que ninguém o entende, confuso sobre o que sente por uma garota. Pois é, nem os bruxos escapam da puberdade, e Harry Potter vem mais adolescente do que nunca em “Harry Potter e a Ordem da Fênix”, que chega nesta quarta aos cinemas. Em Bauru, o Multiplex Bauru Shopping faz a primeira sessão da aventura à 0h01 da madrugada de hoje para amanhã.

Dirigido pelo britânico David Yates, o quinto filme começa com Harry indignado porque os seus amigos Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) não mandaram notícias durante as férias. Em sua estada na casa dos Dursley, Harry é atacado por dementadores - guardiões da Prisão de Azkaban - e usa seus poderes. Pouco depois, chega uma carta comunicando sua expulsão de Hogwarts por isso.

Revoltado, Harry vai para a casa do padrinho, Sirius Black (Gary Oldman), e descobre a Ordem da Fênix, uma sociedade secreta que combatia Voldemort (Ralph Fiennes) e que foi reativada. Harry é julgado e inocentado, podendo voltar para Hogwarts. Mas o colégio não é mais acolhedor para o rapaz. A maioria dos alunos acha que ele enlouqueceu ao dizer que Voldemort voltou. Além disso, uma funcionária do Ministério da Magia, Dolores Umbridge (Imelda Staunton), é nomeada professora de defesa contra a arte das trevas.

Não demora muito para todos verem que as reais intenções da mulher - que só usa rosa - são as piores possíveis. Além de não admitir que Harry fale sobre Voldemort, ela proíbe os alunos de praticarem magias na escola, e esse é só o começo de uma série de proibições. Para se defender, Harry forma um grupo, a Armada Dumbledore, e passa a ensinar defesa aos seus membros.

Entre os alunos está Cho (Katie Leung). É depois de uma das aulas que acontece o primeiro beijo do bruxinho. Mas o breve momento de alegria é intercalado com pesadelos, que, depois, revelam-se reais. E é uma dessas premonições que vai causar a batalha de Voldemort contra a Armada e a Ordem da Fênix.

Orçado em US$ 150 milhões, o longa é o mais sombrio da série. Para quem leu o livro, fica a sensação de que falta algo. Claro que adaptar 700 páginas não é fácil, mas a impressão é de que o filme corre demais para contar a história. Felizmente, não tanto a ponto de comprometer a diversão.

Sombrio

É admirável notar como os filmes de Harry Potter têm acompanhado o crescimento do rapaz: à medida em que o bruxinho vai ficando mais velho e perdendo a inocência, seus filmes também ganham um tom mais grave e até mais sombrio. Por um lado, é uma pena, pois muito do charme dos filmes com Potter está na meiguice dos personagens e na puerilidade das situações.

Por outro, é uma satisfação ver que J.K. Rowling tem alguma preocupação em tornar mais denso seu protagonista - aqui, ele se vê diante de dilemas comuns na vida de todos, alguns até relativamente sofisticados, como quando o bruxo indaga: “Estarei me tornando uma pessoa de má índole?”, achando que pode estar sendo seduzido pelo “lado negro” da sua personalidade.

O roteiro é uma enxurrada de situações diversas, que vão acontecendo quase sem pausa, uma atrás da outra. Como resultado, são cenas corridas e não muito emocionantes. Mas as atuações são ótimas, com destaque para Imelda Staunton como a cínica professora Dolores.