O ministro das Comunicações, Hélio Costa, lançou, em Brasília, a campanha de apoio à localização de crianças desaparecidas mediante a colocação de fotos em telegramas. Todos os telegramas emitidos pelos Correios trarão fotos de crianças e adolescentes desaparecidos na região de entrega da correspondência. A campanha integra um conjunto de ações que vêm sendo estabelecidas entre os Correios e a Secretaria Nacional de Direitos Humanos (SEDH/Conanda) e visa fortalecer medidas em defesa dos direitos humanos, em nível nacional.
Atualmente são entregues cerca de 15 milhões de telegramas ao ano nas 27 unidades da federação. Por meio dessa ação envolvendo todo o Brasil, os Correios esperam auxiliar na localização de pessoas desaparecidas, uma vez que os telegramas com as fotos serão sempre notados e lidos.
O evento de lançamento da campanha contou com a participação do presidente dos Correios, Carlos Henrique Custódio, dos demais dirigentes da administração central da empresa e de seus 28 diretores regionais.
Embora não existam dados consolidados que traduzam a exata dimensão do problema, estima-se que no Brasil cerca de 40 mil crianças e adolescentes desapareçam por ano, sendo que 25% dos casos são registrados apenas no Estado de São Paulo. Ainda que a maioria desses casos seja solucionada rapidamente - a maior parte nas primeiras 48 horas -, existe um percentual significativo, entre 10% e 15%, de crianças e adolescentes que permanecem desaparecidos por longos períodos e, às vezes, jamais são reencontrados.
Atualmente existem 1.085 casos de desaparecimentos registrados no cadastro da Rede Nacional para Identificação e Localização de Crianças Desaparecidas (ReDESAP), sendo que 74% correspondem a vítimas entre 12 e 18 anos, 15% na faixa etária de 7 a 11 anos e 11% de crianças entre 0 e 6 anos.
A rede da Secretaria Nacional de Direitos Humanos coordena as ações voltadas à localização das crianças desaparecidas, como a divulgação dos telefones de órgãos responsáveis e delegacias integradas da ReDESAP.
A rede tem como objetivos constituir um cadastro nacional de casos, criar e articular serviços especializados de atendimento ao público e coordenar um esforço coletivo de âmbito nacional para busca e localização dos desaparecidos. A idéia é congregar todas as organizações que trabalham com o tema no Brasil para potencializar a solução dos casos.
Atualmente, a ReDESAP integra 43 organizações e cobre todo o território nacional, atuando com êxito na resolução de casos de desaparecimento de crianças e adolescentes. A maioria é de órgãos públicos, especialmente Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente. A SEDH coordena a rede e atua para contribuir no fortalecimento da estrutura das instituições participantes e fomentar a articulação horizontal entre elas para intercâmbio de informações, além de promover ações de âmbito regional e nacional que ajudem na localização de crianças.
A rede disponibiliza na Internet informações sobre os casos em que o desaparecimento é mais persistente, ultrapassando 30 dias de duração. O site www. desaparecidos.mj.gov.br é alimentado com informações sobre os casos pelas agências executoras da rede, que dispõem de uma senha para atualizar remotamente o banco de dados.
Entre as agências executoras estão as delegacias de proteção à criança e ao adolescente, as delegacias de pessoas desaparecidas, os SOS’s crianças das cidades do Rio de Janeiro, Brasília e Goiânia - unidades ligadas às secretarias estaduais ou municipais de assistência social - e organizações de mães de crianças desaparecidas.