11 de julho de 2026
Geral

Estudantes da escola Carolina Lopes de Almeida mergulham na cultura japonesa

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 2 min

Brincadeiras simples como o jan ken pon (ou joquempô, traduzindo para a língua falada) estão inseridas no cotidiano das crianças brasileiras. Mas o que poucas delas sabem é que o jogo que mede as forças entre o papel a tesoura e a pedra foi trazido ao Brasil pelos imigrantes japoneses há quase cem anos. Esse é só um dos exemplos de elementos da cultura nipônica que estão difundidos e, em determinados casos, incorporados ao modo de vida do brasileiro.

Para abrir os horizontes dos seus cerca de mil alunos sobre a importância do envolvimento nipo-brasileiro durante a história e seus reflexos até hoje, a escola estadual Carolina Lopes de Almeida, localizada no Jardim Godoy, em Bauru, está trabalhando temas de cultura japonesa com crianças de 7 a 18 anos. Desde março, em todas as disciplinas, os professores estão desenvolvendo trabalhos baseados em temas orientais que participarão de concursos de âmbito nacional e internacional e que serão expostos em outubro, numa feira cultural japonesa.

Para a coordenadora da escola e do projeto, Ana Gabriela de Brito Testa, a iniciativa, incentivada por um decreto estadual, é importante, já que em sala de aula a influência japonesa no Brasil é pouco discutida. “Em primeiro lugar é ótimo para eles terem a oportunidade de entender uma cultura que vivenciam diariamente mas muitas vezes não têm idéia do que realmente é. Com isso, eles enriquecem suas culturas entendendo o processo de formação desses itens presentes no seu mundo”, explica. “Pensando em tudo o que ele (aluno) aprende, ele repensa a história do Brasil”, completa.

Em cada disciplina, professores desenvolvem trabalhos ligados a temas específicos da área. Em português, os alunos do ensino médio estão produzindo um mangá (espécie de gibi cuja leitura é feita de trás para frente). “Eu fiquei muito surpresa porque não imaginava que eles gostavam e sabiam tanta coisa a respeito”, afirma a professora Devanil Aparecida Ribeiro. “Inserindo um assunto presente no mundo deles, eles participam com mais entusiasmo da aula”, completa.

Para a doutora em educação Maria do Carmo Monteiro Kobayashi, professora assistente da Unesp que desenvolve o projeto em conjunto com a escola, o contato com a cultura japonesa pode ajudar a moldar o perfil das crianças. “A identidade só é construída à medida que a pessoa conhece quem convive com ela e as conseqüências dos atos dessas pessoas no contexto onde sua vida está inserida”, acredita.

Ela destaca também a união da escola com a instituição de ensino superior como forma de agregar novas maneiras de trabalho ao dia-a-dia dos professores e alunos.