11 de julho de 2026
Política

100 dias apolíticos de Porto no Gabinete

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

No dia em que completa 100 dias à frente de um dos cargos mais importantes da administração municipal, o chefe de Gabinete bauruense João Baptista Campos Porto tem a humildade de reconhecer que ainda tem muito a aprender na função. Mas, apesar de admitir estar “engatinhando” na atividade, em uma área Porto é enfático ao declarar não ter a menor intenção de mexer: a política.

No entanto, isso não significa que ele queira distância do Legislativo e dos vereadores. Pelo contrário. O bom relacionamento e a proximidade com a Câmara Municipal continuam sendo uma de suas prioridades, uma das missões destacadas pelo chefe do Executivo para Porto. Tanto que, ontem à tarde, ele acompanhou o prefeito Tuga Angerami na ida à Casa de Leis bauruense com o objetivo de tratar o acordo da dívida da prefeitura com a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).

O distanciamento político que Porto menciona refere-se ao fato de não pretender ser um articulador de práticas que possam favorecer tanto os que já exercem cargos públicos quanto os pensam em se candidatar a eles. Tal necessidade vem sendo destacada por Angerami desde o anúncio oficial do nome do advogado para ocupar a chefia de Gabinete.

“O chefe de Gabinete do período final de mandato tem de ser diferente do primeiro. No primeiro, as pessoas não estão pensando ainda no processo sucessório e os vereadores ainda não pensam nas proximidades das eleições e em suas próprias reeleições. Já em uma segunda metade de governo, é comum que o processo sucessório vá ganhando corpo, tanto com relação ao Executivo como a disputa pelas cadeiras do Legislativo. Por isso, tem de ser alguém que não seja candidato e tenha história conhecida como profissional respeitado”, explicou Angerami na época.

Ao comentar o assunto, Porto é claro e objetivo. “Ele (o prefeito) não quer envolver política e é algo que não vou fazer e não tenho interesse nenhum nisso. O Tuga me escolheu porque não sou filiado a nenhum partido político e não tenho vínculos partidários. Também tinha e mantenho bom relacionamento com o Legislativo, pois já trabalhei na consultoria jurídica da Câmara. Mas atendo todo mundo, como os vereadores, que têm liberdade e trânsito liberado para trocar idéias e conversar comigo”, argumenta o chefe de Gabinete.

Avaliação

Porto é franco ao avaliar sua atuação à frente da chefia de Gabinete. Humilde, ele reconhece ainda estar “aprendendo” e diz estar ciente de que ainda levará muitas “bordoadas”.

“A avaliação é algo difícil de fazer, mas uma coisa te afirmo. É um cargo espinhoso e difícil em que há problemas de todos os lados. Ainda não consegui dominar tudo e vou levar mais um tempo, vou levar mais umas bordoadas e apanhar um pouco. Mas mantenho contato diário com o prefeito e os problemas mais sérios que não consigo resolver converso e encaminho para ele”, ressalta Porto. E completa rindo e brincando com o prefeito Tuga Angerami: “Quando ele me convidou não me contou a amplitude dos problemas que teria de enfrentar.”

Em relação às “pancadas”, Porto explica que nem sempre consegue atender às expectativas das pessoas que o procuram. “A pessoa vem conversar com você e muitas vezes é uma que vem passando um problema já há algum tempo que você toma conhecimento somente naquela hora. Assim, a pessoa tem a impressão que o problema dela não foi considerado porque ainda não sei. E é duro explicar isso”, pondera, para depois acrescentar:

“Todo mundo que nos procura chega com algum problema e querendo uma solução rápida. Por exemplo, a associação de bairro é difícil conversar com o pessoal, pois tem muitos presidentes dessas entidades que foram candidatos a vereadores, são políticos. É difícil você fazer um relacionamento com esse pessoal, mas tem dado certo.”