A eleição municipal de 2008 pode exigir a substituição de até quatro ocupantes de cargos do primeiro escalão da Prefeitura de Bauru no início do próximo ano. O primeiro a confirmar que vai deixar sua função é o titular da Secretaria do Meio Ambiente (Semma), Rodrigo Agostinho. O prefeito Tuga Angerami já adiantou que vai mesmo pedir que os que desejam ser candidatos deixem seus cargos logo no início do ano.
“Eu volto para a Câmara Municipal em janeiro e vou participar das eleições de 2008. Vou ser candidato”, resumiu Rodrigo Agostinho ontem ao ser indagado sobre sua situação. O secretário lembrou que já havia definido esta situação quando se licenciou da atuação parlamentar para ir para a secretaria. “No meu caso não terá surpresa. Quando eu fui convidado para ir para a Semma já disse que seria por um ano e ficou bem claro também isso para o Alex Gasparini, que é o vereador suplente. Em janeiro, volto para cumprir meu mandato”, completou.
O que Agostinho não definiu é que cargo vai disputar. “Todas as possibilidades são possíveis hoje. Posso ser candidato a vice-prefeito em uma composição, posso disputar a reeleição a vereador e até assumir candidatura a prefeito. Depende do que vai acontecer lá na frente”, comentou. A maior aposta é que ele seja vice de Clemente, em uma aliança entre DEM e PMDB.
Se a decisão do prefeito for mantida, o presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), José Clemente Rezende, também terá de ocupar outros ares após o Réveillon deste ano. Mas como a estratégia eleitoral do prefeitável Clemente é de não confirmar sua esperada candidatura antes da hora, ele é comedido ao falar do assunto. “Se o prefeito tem esta diretriz, no início do ano as funções que serão abertas serão ocupadas normalmente. Ainda é cedo”, resumiu.
Na oportunidade em que se ausentou do cargo, por poucas horas, no início do ano, para votar na eleição da Mesa da Câmara, Rezende conseguiu emplacar a diretora da Divisão Jurídica do DAE, Carla Cabogrosso Fialho, como presidente interina. Mas no caso de Clemente há outra alternativa. Como ele também é vereador licenciado, pode retomar a função, no lugar do suplente Faria Neto (PDT). Esta hipótese o colocaria em plenário, com direito a debater ao vivo, na hora, com outros pretensos pré-candidatos, como os tucanos Marcelo Borges e Toninho Garmes.
Mas já se especula dentro do governo que o prefeito terá de se preparar para realizar substituições também na presidência da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) e na Secretaria de Cultura. Carlos Barbieri e José Augusto Vinagre, recém filiados ao DEM juntamente com Clemente, estariam dispostos a enfrentar a candidatura à vereança.
E como uma especulação puxa a outra, a aposta antecipada seria de que o prefeito teria solução caseira para essas saídas, seja com Renato Caldas, que hoje é diretor da Emdurb e já foi interino na extinta Secretaria das Administrações Regionais (Sear), seja com auxiliares de Vinagre, para a Cultura, como Duílio Duka de Souza e Henrique Perazzi de Aquino.
Para essa situação, antes dela chegar a se concretizar, vale relembrar o que falou Tuga a respeito: “Eu não vou permitir que nenhum integrante da administração permaneça em seu cargo se for participar da eleição. Ser candidato é direito legítimo de cada um, mas eu tenho de garantir que a máquina pública esteja distante do processo eleitoral, inclusive com seus membros, até por isso não sou candidato à reeleição e não vou me filiar a partido político. Vou garantir a transição segura e neutra e para isso quem for candidato deixa o cargo em janeiro próximo”.