Gaza - O movimento islâmico Hamas convocou para hoje uma reunião do Parlamento palestino para tentar reverter a designação de um novo gabinete de governo apontado pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, do Fatah.
Os grupos rivais Hamas e o Fatah, partidos políticos que possuem braços armados, dividiam o poder na Palestina em um governo de coalizão, mas romperam o acordo em meio a uma onda de violência que deixou mais de cem mortos em Gaza no último mês.
Enquanto o Hamas tomou, à força, o controle da Faixa de Gaza, Abbas, destituiu o grupo rival do poder e criou ainda um novo gabinete de emergência na Cisjordânia.
Anteontem, Abbas fez uma manobra para substituir o governo de emergência por outro mais permanente.
Respondendo a uma restrição constitucional imposta a qualquer estado de emergência de 30 dias - que terminou à meia-noite -, o presidente Abbas empossou três ministros e reindicou Salam Fayyad como primeiro-ministro após ele formalmente renunciar, segundo auxiliares.
A indicação de novos ministros pelo presidente Abbas e a renúncia e reindicação do primeiro-ministro efetivamente cria um novo governo para substituir o emergencial.
Ontem, o Hamas considerou o novo governo de Abbas como inconstitucional e pediu ao Parlamento Palestino que se reúna para reverter a decisão do presidente.
O porta-voz do Hamas Fawzi Barhoum disse que o grupo islâmico “não vai lidar com este governo de nenhuma forma, e pede que o povo também não o considere”.
Não ficou claro como o Parlamento deverá se reunir, já que o Fatah deverá boicotar a convocação e também impedir que se forme o quórum necessário para a aprovação de qualquer decisão.
Abdullah Abdullah, um dos líderes do Fatah no Parlamento, considerou “ilegal” a convocação dos legisladores. “Não vamos participar”, afirmou.
O Hamas ganhou a maioria dos assentos no Parlamento palestino após a eleição de janeiro de 2006, mas o Fatah deteve quase a metade dos 74 legisladores do grupo, impedindo que seja formada a maioria.