09 de julho de 2026
Bairros

Bauru se rende às ‘ruas especializadas’

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

Quando o consumidor precisa comprar um tipo de produto específico, é comum procurar várias lojas para fazer orçamentos e encontrar as melhores opções de marcas e preços. O problema é que, muitas vezes, as lojas ficam em pontos diferentes da cidade, e, por isso, muitas vezes a pessoa acaba se contentando com a primeira que encontra, se não tiver tempo de fazer uma pesquisa mais apurada.

Pensando em facilitar a vida do consumidor, os comerciantes de Bauru estão adotando uma tendência que já é comum há muito tempo em São Paulo, concentrando as lojas de determinado produto em locais próximos, transformando as ruas comerciais em ‘ruas especializadas’.

Ainda não são muitas as vias onde essa tendência comercial se acentua, mas há casos em que é possível perceber um movimento crescente de estabelecimentos segmentados concentrando-se em determinadas regiões da cidade. Na Vila Universitária, por exemplo, o tipo de comércio mais comum é o de aparelhos odontológicos, principalmente na alameda Octávio Pinheiro Brisolla e na rua Antonio Garcia.

O setor de venda de automóveis também se destaca em ruas especializadas, como a Nações Unidas e a Castelo Branco. Na Araújo Leite, há dois fortes segmentos: tintas e peças automotivas. Enquanto a Getúlio Vargas está se especializando em móveis de alto padrão, o próprio Calçadão da Batista tem seus segmentos em calçados, confecções e eletrodomésticos bem acentuados.

Para o economista Reinaldo Cafeo, a concentração de lojas do mesmo segmento em um único local gera mais ofertas nos preços dos produtos oferecidos e, conseqüentemente, atrai mais os consumidores. Ele aponta que esse tipo de comportamento é comum em grandes centros, mas tem ganho força no Interior. “Em Jaú, dada a característica do calçado, eles criaram um shopping cooperado”, exemplifica.

O economista avalia a formação de pólos comerciais como positiva, apesar de destacar o fator concorrência como um dos pontos negativos. Para ele, o fato de ter várias opções em um único corredor pode ser benéfico, mas ao mesmo tempo causar problemas se o comerciante não souber lidar com a proximidade do concorrente.

Por esse motivo, Cafeo acredita que a solução pode ser a união de forças, ou seja, para não ficar isolado, o comerciante pode seguir a tendência de se estabelecer em um pólo especializado, mas buscar, junto à concorrência, promover ações que favoreçam a todos.

Essas ações, segundo ele, não precisam ficar restritas a liquidações de produtos ou voltadas especificamente para as vendas. Podem ser no sentido de melhorar a infra-estrutura do local onde estão concentradas as lojas. Iluminação, segurança e atrativos para o consumidor se encaixam nessas ações.

A partir daí, diz o economista, é com o comerciante. Cabe a cada um estabelecer sua maneira de atender a clientela, para minimizar a presença do concorrente, ou seja, cada um vai se impondo dentro de sua maneira de atender. Cafeo afirma, também, que a possibilidade do consumidor identificar os locais de compra por segmento é altamente positiva.

Apesar dos exemplos, as ruas especializadas ainda engatinham em Bauru, pois, para se formar, dependem muito mais do mercado do que de ações voltadas para isso. Conforme Reinaldo Cafeo, é uma dinâmica própria da economia, sem intervenções. Ele cita a rua Gustavo Maciel como exemplo. De acordo com o economista, a rua foi se caracterizando pelas diversas clínicas médicas que abriram no local, de forma não induzida.

Pesando os prós e contras da concentração de determinados segmentos comerciais em uma rua ou bairro, é possível dizer que o maior beneficiado é o consumidor. Não se pode afirmar que as ruas especializadas tendem a crescer, pois dependem muito mais dos rumos da economia do que de ações do poder público nesse sentido.