08 de julho de 2026
RH & Tendências

Readaptação é garantia para não perder emprego

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 4 min

Diante da dinâmica no mundo profissional, em virtude de problemas de saúde, distúrbios psicológicos ou mesmo por opção do empregador, dificilmente um funcionário passa todo o período produtivo exercendo a mesma função dentro de uma organização. As oportunidades aparecem na mesma proporção em que as necessidades. E para que tais situações não sejam resolvidas de maneira equivocada, existe o processo de readaptação profissional, que traz benefícios tanto para a empresa quanto para seu empregado.

Após repetição da mesma função, alguns trabalhadores adquirem limitações físicas, outros caem num ciclo que provoca a perda de ânimo e desempenho profissional. Tais ocorrências, em muitas organizações, não são vistas com bons olhos. Principalmente no âmbito privado, onde, na maioria das vezes, a situação é resolvida facilmente apenas com a demissão.

No entanto, é fácil perceber que essa resolução é apenas a mais cômoda. Além de demonstrar falta de consideração com o empregado, a demissão é prejudicial para a própria companhia, que tem de arcar com todos os direitos empregatícios e com o trabalhoso processo de seleção de um novo funcionário. Do outro lado da balança, o empregado fica numa situação ainda mais difícil, pois terá que lutar muito para conseguir uma nova colocação no mercado, com concorrência ferrenha.

A readaptação elimina esses transtornos. Trata-se de uma prática hoje difundida e defendida por profissionais de recursos humanos. “É o ato de adequar um funcionário para o desempenho de outra função, quando aquela desenvolvida anteriormente não está atingindo índices satisfatórios em virtude de dificuldades patológicas ou psicológicas”, revela o professor de psicologia organizacional e do trabalho da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Luiz Carlos Canêo.

Apesar de toda mudança gerar desconfiança e ser recebida com apreensão por parte do funcionário, em muitos casos ela pode ser benéfica. “Novas atividades incorrem em novos desafios e isso muitas vezes serve como incentivo, trazendo bons resultados em todos os sentidos”, afirma o professor, que assina artigo sobre o tema no livro “Contribuições do psicólogo para a promoção de saúde, qualidade de vida do trabalhador e desenvolvimento das organizações”.

A publicação, organizada por Canêo juntamente com os professores psicologia organizacional e do trabalho da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Luiz Carlos Canêo, Edward Goulart Júnior e Maria Cristina Frollini Lunardelli, é uma parceria com o Conselho Regional de Psicologia de Bauru, e seus artigos têm sido utilizados como temas de matérias para esta seção desde maio.

Positivo

O bancário Cássio Henrique Fernades, de 43 anos, se enquadra no rol daqueles que se deram bem após a readaptação profissional. Depois de desempenhar durante 12 anos a mesma função num banco público, o setor onde ele trabalhava foi extinto. “Como já estava muito acostumado com o meu cotidiano na área de informática, tive muito receio”, conta. “E não escondo que no começo a adaptação foi dura”, completa.

Ele trocou de função em oito oportunidades e hoje acredita que foi a melhor coisa que lhe aconteceu na vida profissional. “O legal disso tudo foi que eu me descobri muito mais útil e eficiente na função que desempenho hoje (área comercial). Antes me sentia apenas mais uma peça na engrenagem. Hoje o que faço é reconhecido”, diz. “Tenho sorte de trabalhar numa empresa que oferece esse diferencial”, completa.

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Prejuízo

Se perder o emprego pelo fato da empresa não dar a oportunidade de readaptação de função é ruim, o mesmo ocorre com quem se vê impossibilitado de trabalhar em virtude de doenças causadas pelo excesso de trabalho e pressão.

Aos 38 anos, a secretária Carla Cristina Ferrari precisou ficar dois anos de molho em casa depois de contrair Lesão por Esforço Repetitivo (LER). Sobrecarregada no trabalho, ela perdeu totalmente os movimentos do braço direito. “Após a licença, fiquei muito afetada psicologicamente porque me sentia inútil”, revela.

Depois de muito tratamento, ela pôde voltar ao trabalho, mas a instituição onde trabalha a transferiu para outra função. Ela passou a atender diretamente os clientes, na recepção de uma clínica. “Tive muita sorte, porque o ambiente aqui é ótimo e isso tem muito efeito no desempenho do funcionário. Hoje exerço uma função que não me prejudica em nada”, revela Ferrari, que diariamente passa por sessões de fisioterapia.

Ambos os exemplos citados na matéria correspondem a trabalhadores do setor público. No entanto, existem empresas privadas que também fazem esse tipo de trabalho. No caso da LER, a lei 8.213, de 24 de julho de 1991, garante o direito a readaptação.