11 de julho de 2026
Esportes

Copa América: Brasil e Argentina fazem final ‘européia’ na Venezuela

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Maracaibo - O campeão da América nunca foi tão europeu. Ganhe Brasil ou ganhe Argentina, a final de hoje na Venezuela consagrará o elenco campeão continental com maior número de jogadores atuando fora de seu país. A decisão da 42ª Copa América, a mais política da história, começará às 18h05 (horário de Brasília), em Maracaibo.

O Brasil tentará hoje ser bicampeão da América com 19 jogadores que atuam no futebol europeu (inclui Fred, do Lyon, que foi cortado, mas integrou o grupo). A Seleção venceu em 2004 no Peru com 11 “forasteiros”, um recorde que havia igualado os 11 “estrangeiros” campeões de 1997 na Bolívia. Podem ser campeões com a famosa camisa amarelinha um jogador do CSKA Moscou ou um do holandês Heerenveen, algo inédito.

O novato técnico da seleção, o ex-volante Dunga, pode coroar com uma taça sua ainda breve gestão, marcada bastante pela globalização. Hoje, mais uma vez suas fichas estarão em um jogador do Shaktar Donetsk, da Ucrânia: o meio-campista Elano substituirá Gilberto Silva, suspenso.

Até 1975, todos os campeões da Copa América jogavam no continente que mais exporta jogadores de qualidade para a Europa. Hoje, a situação é inversa. A Argentina, campeã continental pela última vez em 1993 com oito “estrangeiros”, tenta sair da fila com 15 atletas que atuam fora do país.

O técnico da Argentina, Alfio Basile, ainda aproveita um pouco a base do Boca Juniors, campeão da Libertadores (Ibarra, Daniel Diaz, Riquelme e Palacio), mas Dunga tem só um são-paulino em seu time titular (Josué) e outro são-paulino (Alex Silva) e um santista (Kléber) como exceções na reserva.

O torneio de seleções mais antigo do mundo que ainda é disputado ficará ainda marcado para os brasileiros como a competição deixada de lado por suas maiores estrelas atualmente. Kaká (Milan) e Ronaldinho (Barcelona) entraram em rota de colisão com Dunga ao solicitarem suas dispensas da competição à CBF. Preferiram tirar férias a encarar a disputa na terra do polêmico presidente Hugo Chávez.

Até por contar com sua força máxima, a Argentina é apontada como favorita para a decisão. Em sua campanha, 100% de vitórias e alguns shows. Dona do melhor ataque, com 16 gols marcados, não foi vazada ainda no mata-mata da disputa. O Brasil, por sua vez, largou mal, mostrando um futebol nada animador e perdendo do México por 2 a 0 - o mesmo adversário que levou 3 a 0 dos argentinos na semifinal com direito a golaço de Messi.

Na última edição, em 2004, no entanto, o cenário era semelhante, e a Seleção Brasileira triunfou nos pênaltis após empate de 2 a 2 no tempo normal. Como a campanha da equipe nacional foi extremamente parecida com a de três anos atrás (classificação em segundo lugar na primeira fase, goleada nas quartas e eliminação do Uruguai nos pênaltis na semifinal), fica a esperança para o torcedor brasileiro do oitavo título do país na Copa América.

A Argentina tenta a 15ª taça da competição, o que a deixaria como a maior ganhadora da disputa de forma isolada. Hoje ela divide esse posto com o Uruguai, com 14 conquistas. A Europa, de qualquer jeito, festejará o campeão e o vice da “maior Copa América da história”.