O excesso de informação disponibilizada nos meios de comunicação pode resultar no que a teoria da comunicação chama de “disfunção narcotizante”. Trata-se de uma disfunção causada pela grande quantidade de informação a que está sujeito um indivíduo ou a coletividade. Os receptores absorvem as informações sem refletir sobre o que acabaram de ler ou ouvir. Por isso, é narcotizante.
Para o professor de jornalismo digital Mauro Souza Ventura, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, mais importante do que ter acesso a uma infinidade de informações é conseguir processar aquilo que é mais importante. “O grande risco é o de obtermos muitos dados, mas não conseguirmos selecionar aquilo que necessitamos realmente.”
Segundo ele, de um modo geral, pode-se dizer que hoje as pessoas têm mais condições de estarem bem informadas do que as gerações anteriores. No entanto, o déficit social, educacional e cultural do País é tão grande que se torna um entrave à assimilação da informação.
Ansiedade
Para o professor de jornalismo e sociólogo Danilo Rothberg, da Universidade do Sagrado Coração (USC), a ansiedade diante da grande quantidade de dados disponíveis atualmente deve diminuir à medida que as pessoas forem educadas para identificar a informação com credibilidade, produzida com critérios profissionais, o que inclui a pluraridade.
“Uma única fonte de informação, como um grande jornal ou revista, nem sempre é suficiente”, opina ele. “É adequado cruzar as informações de pelo menos dois grandes jornais impressos, selecionando dali as editorias de maior interesse pessoal e, eventualmente, completando com fontes adicionais.”
Embora traga mais custo, atitudes como essa, segundo Rothberg, ajudam a tornar o leitor mais crítico. Além de mais caro, o consumidor pode argumentar que não tem tempo para ler dois jornais diários. Para o professor, isso se resolve com treino e experiência. Pelas contas dele, em apenas meia hora dá para se informar razoavelmente bem. “Vale dizer que esse é o tempo que muitos dedicam a telejornais que, com superficialidade, forte tendência ao entretenimento e longos intervalos comerciais, pouco informam de fato”, afirma.
A diversidade no enfoque da notícia é defendida também pela professora Erika Dios, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), da Unesp. “É importante buscar outras fontes de informação. Além disso, é preciso de tempo e calma para processar a informação recebida e transformá-la em conhecimento”, diz ela. “Precisamos transformar o excesso (de informação) em uma possibilidade de olhar mais crítico, usá-lo de forma positiva”, sugere Erika.
Segundo ela, a velocidade com que as informações chegam até as pessoas acompanhou a evolução humana. Nos primórdios, quando não havia meios de comunicação, as notícias caminhavam tão lentamente quanto os passos dos homens. Depois passou a ser transportada por tração animal, depois por meio do carro, do trem, do avião, até chegar à transmissão via satélite, como é hoje.
Para não se sentir perdida em meio a tantas possibilidade de informação, Erika diz que seleciona o que ela considera ser importante para sua vida pessoal e profissional. “Não adianta nos sentirmos culpados por não ler de tudo, porque não dá tempo. É impossível. A quantidade de opções é imensa”, comenta.
Saber selecionar as fontes de informação pode ser um diferencial, de acordo com o professor Mauro Ventura, principalmente para as novas gerações. “É preciso criar paradigmas, trilhas seguras nessa floresta de informações”, ensina ele.
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Sono é fundamental
Perder horas de sono para ler revistas, jornais, boletins ou navegar pela Internet pode não ser um bom negócio. Quem faz isso perde não somente o sono, mas também seu tempo. É o que afirma a neurologista Michele Madeira Brandão.
Segundo ela, o cérebro pode trabalhar várias horas por dia, mas necessita das oito horas de sono para sedimentar as informações que recebeu no período em que esteve acordado. “É durante o sono que a memória é consolidada. Ele é fundamental para a memória”, reforça.
Portanto aquela pessoa, e isso é comum hoje em dia, segundo a neurologista, que diminui as horas de sono para ficar assistindo televisão, navegando na Internet ou lendo, não vai conseguir reter as informações recebidas naquele momento. “É o mesmo que comer e não fazer a digestão. Pode-se dizer que o sono é a digestão da memória”, compara Michele.
De acordo com ela, todos os pacientes jovens que comparecem ao consultório em busca de ajuda por perda de memória geralmente dormem pouco ou mal.