Nem quando está dormindo, a corretora da Bolsa de Valores Lúcia Silva, 39 anos, consegue se desligar do mundo agitado pela busca incessante por informações de última hora. Há sete anos trabalhando no mercado de ações, ela perdeu a conta de quantas vezes sonhou que estava navegando pela Internet, lendo algum jornal ou vendo no canal Bloomberg as últimas cotações das bolsas no mundo todo.
Por diversas vezes, ela chegou à beira do estresse. Tanto que agora conserva sobre sua mesa um vidro com florais para manter o corpo e a mente em equilíbrio. “Serve para dar uma direcionada, porque chega uma hora que começa a vir muita coisa de todos os lados”, diz ela sobre a serventia das essências.
Mesmo que recebesse recomendações médicas para passar alguns dias em casa, descansando, ela diz que não teria como atender. “Eu não posso parar”, justifica. Quando nasceu seu primeiro e único filho até agora, Lúcia não ficou mais do que 20 dias sem trabalhar. No vigésimo, lá estava ela de novo metida no meio de jornais, revistas, boletins informativos, computador e zapeando pelos canais de notícias da TV a cabo.
A rotina começa logo cedo, quando Lúcia dá uma olhada nos jornais ainda em casa, durante o café da manhã. Quando chega na corretora, tem mais jornais e os boletins informativos elaborados por analistas financeiros. Na tela do computador, checa para ver se aconteceu algo novo durante a manhã que possa influenciar no valor das ações.
Enquanto isso, a TV permanece quase o tempo todo sintonizada no canal Bloomberg, que acompanha a movimentação dos principais mercados financeiros internacionais. Às 9h15 tem reunião para discutir as notícias do dia que podem ser importantes para o mundo dos negócios. E assim segue o dia todo.
“Não podemos descuidar. Dependendo da informação que eu recebo, é um caminho a ser tomado. São as notícias do dia que nos dão o direcionamento dos negócios a serem feitos”, explica a corretora. Nem nos fins de semana há descanso. “Não consigo me desligar. Leio minuciosamente os jornais do dia e quando me dou conta já estou na TV procurando os canais de notícias. Isso tornou-se uma coisa automática.”
Antes de abraçar a carreira de corretora no mercado de capitais, Lúcia trabalhou por 12 anos em banco, onde exercia a função de gerente comercial. “A informação online não era tão importante quanto agora, mas, mesmo assim, eu tinha de me manter sempre bem informada”, relembra.
Se Lúcia está há 19 anos nessa luta para não deixar passar uma informação importante, a telefonista Viviane Oliveira, 31 anos, diz que faz o mesmo por herança hereditária. “Meu pai era assim”, conta. “O gosto de estar sempre bem informada eu herdei dele.”
Viviane lê diariamente quatro jornais (os dois de Bauru, mais a Folha e o Estadão), acessa a Internet em busca de informações do dia e ainda assiste aos diferentes telejornais da noite. Ela não se importa em ver a mesma notícia em veículos diferentes. “Eu até gosto porque a abordagem é diferente”, alega.
Quando está em casa, a televisão fica quase o tempo todo ligada, de preferência na Band News, canal especializado em notícias. Viviane também não esquece do rádio, companheiro de todas as manhãs, que ouve antes de sair para trabalhar. Em uma frase, ela justifica todo seu interesse pela cobertura jornalística. “Uma pessoa bem informada comete menos erros”, afirma.
A supervisora de ensino Maria José dos Santos, mais conhecida como Mazé, é outra que se aproveita das muitas opções de informação oferecidas, principalmente pela Internet. Ela chega a ficar conectada, em média, cinco horas todas as noites. “Tudo o que eu preciso saber vou pesquisar lá”, diz Mazé, que às vezes chega a ficar perdida diante de tantas possibilidades. “Tem horas que eu chego em um ponto e não sei em que site entrar”, relata. “A tecnologia me fascina.”
Por outro lado, há quem não se sinta nem um pouco atraído pelas novas tecnologias. O porteiro Douglas de Souza Aranha, 50 anos, tem computador em casa, tem celular, mas não usa nenhum dos dois. Quem toma conta dos aparelhos são as filhas. “É tudo muito complicado. Não gosto”, tenta se justificar. De todos os meios de comunicação, o que ele mais usa é o velho e bom rádio, mas não para ouvir notícias.