11 de julho de 2026
Nacional

Recesso ameniza a tensão no Senado, diz líder do governo

Por Renata Giraldi | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília- O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), pediu anteontem aos senadores que controlem os ânimos e evitem açodamentos na Casa. Ao fazer o pedido, Jucá defendeu, sutilmente, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de quebra de decoro. Ele afirmou que o colega peemedebista precisa de tempo para prestar esclarecimentos ao Conselho de Ética da Casa. “É preciso calma. É preciso acalmar os ânimos. Acho que o recesso ajudará nisso”, afirmou Jucá, referindo-se ao recesso parlamentar que começa no dia 18.

Sem citar nomes nem partidos, o líder sugeriu que não pode haver pressa no encaminhamento das denúncias sobre o caso Renan. “Acho que a partir daí (das investigações no Conselho de Ética e das perícias da Polícia Federal) tudo deve ser feito com toda tranqüilidade, sem açodamentos nem pressa de um lado ou de outro. Temos de ter é a responsabilidade de fazer isso com respeito às normas, ao regimento (interno do Senado) e à Constituição. Espero que o clima acalme e nós consigamos continuar votando”,afirmou Jucá. Em seguida, o senador disse: “Esperamos que os procedimentos possam ter conseqüências e, em agosto, possamos ter uma resposta sobre as informações periciadas, sobre o que é e não é que deve ser esclarecido pelo senador Renan Calheiros”.

A reação de Jucá surgiu em resposta aos seguidos bate-bocas no plenário do Senado, deflagrados a partir da oposição, que pressiona para que Renan se afaste da presidência da Casa. Anteontem, senadores abandonaram a sessão em protesto porque o peemedebista adiou para terça-feira a reunião da Mesa Diretora que definirá sobre o envio de seus documentos para perícia na Polícia Federal. Segundo Jucá, o vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), conduzirá esta reunião.

Renan é investigado pelo Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro. Ele é acusado de ter utilizado dinheiro da construtora Mendes Júnior, via lobista, para pagar despesas particulares, como pensão alimentícia e aluguel à jornalista Mônica Veloso com quem tem uma filha fora do casamento.

Oliveira

O esvaziamento da Câmara deve favorecer o deputado Mário de Oliveira (PSC-MG), acusado de ter contratado um matador profissional para assassinar Carlos Willian (PTC-MG). É que com a ausência de quórum para realizar sessões na Câmara, Oliveira ganhou mais tempo para apresentar sua defesa ao Conselho de Ética. A previsão é que ele encaminhe a defesa apenas na primeira semana de agosto, após o retorno do recesso parlamentar. Porém, o presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PTB-PE), informou que Oliveira e Willian serão ouvidos até o dia 15 de agosto.

Antes, todos os integrantes do conselho receberão uma cópia de uma conversa telefônica que foi gravada -nela, um assessor de Oliveira, Odair da Silva, planejaria com “Alemão” (apontado como o suposto matador profissional) uma emboscada para matar Willian. “Todos os integrantes do conselho terão acesso à gravação. Aguardamos o envio dos documentos que pedimos ao STF [Supremo Tribunal Federal), à Polícia Civil de São Paulo e ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais”, disse Izar. “Vamos trabalhar administrativamente durante o recesso. A relatora (deputada Solange Amaral) já colheu bastante material.”

Oliveira foi acusado pelo deputado Carlos Willian de ter planejado sua morte. Willian contou que um policial civil de São Paulo informou que havia sido descoberto um plano para matá-lo. Nas investigações, um dos suspeitos - Odair da Silva - teria confessado que seguia orientações de Oliveira. Há cerca de três semanas as denúncias foram levadas ao plenário da Câmara.

Em uma das sessões, Oliveira e Willian contaram suas versões sobre o episódio. Oliveira negou as denúncias, informando ser “contra até matar passarinho.” A relatora do processo, deputada Solange Amaral (DEM-RJ), disse que pretende concluir o relatório de forma rápida. Segundo ela, é função do Conselho de Ética “defender” o Parlamento.