08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Cadinho racial


| Tempo de leitura: 2 min

Milhões de brasileiros, com sobrenomes tipicamente nacionais, como: Amaral, Barros, Cardoso, Carvalho, Cordeiro, Dias, Escobar, Figueiredo, Fonseca, Franco, Leal, Machado, Moreira, Nascimento, Oliveira, Pereira, Rocha, Serra, Silva, Soares, Torres, Vieira, Xavier, etc, podem ser descendentes de judeus sefarditas.

Tais judeus fugiram de Portugal para o Brasil colonial, por causa do policiamento implacável da Inquisição, que os obrigava a uma conversão forçada ao catolicismo. Tais fatos estão registrados no livro: “O marranismo e a diáspora sefardita”, do escritor e pesquisador Daniel Cordeiro, Editora Israel, 1995, São Paulo. Devo ter, além da evidente descendência lusitana, sangue judeu sefardita correndo em minhas veias. O pai de meu trisavô (que era paulista do Vale do Paraíba) caçou a laço uma bugra aguerrida, com quem se casou. Já minha avó paterna era italiana (“Bertelli”) de Rovigo. Um perfeito caldeamento em meu DNA.

A família de minha esposa provém de Minas Gerais (do lado materno e do paterno). Tanto o avô paterno quanto o avô materno apresentavam sinais de sangue indígena (olhos levemente amendoados). Daí porque meus três filhos têm os olhos puxados. A presença marcante do sangue índio, apontando o cruzamento inter-racial. O sangue negro permeia as veias de dois netos meus, embora tenham ambos a pele clara como a neve. A neta (com 18 anos) tem bisavós paternos com a pele negra. O avô paterno dela, além da pele escura, tem os olhos amendoados como de um índio. O neto (com 6 anos) tem bisavós (baianos) com epiderme negra. Meu avô materno e avó materna têm descendência nordestina.

Diante de tanta miscigenação seria um paradoxo nutrir quaisquer sentimento racista contra judeus, negros, índios e nordestinos. Quem se julgar superior em relação ao seu semelhante, no que tange à cor da pele, raça, nacionalidade ou regionalidade, deverá então proceder a um meticuloso estudo em sua árvore genealógica.

Gilberto Sidney Vieira