09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Relato verídico de Mauro Machado


| Tempo de leitura: 3 min

Dia das Mulheres, 8/3/2007, um dia igual para todos, mas, para mim, um dia muito marcante. Perdi meu noivo, meu amor, eu com 62 anos, ele um pouco mais. Porém, nosso convívio, carinho um pelo outro, era muito mais que muitos adolescentes. Nossas vidas eram uma felicidade só.

Em poucas horas, iríamos realizar nosso sonho: às 9h30 nos tornaríamos marido e mulher, mas uma grande fatalidade aconteceu. Às 5h, ele veio a falecer. Não concretizamos nosso desejo. Para nós, estar juntos mais de três anos foi viver plenamente. Nossa convivência era tão harmoniosa que era de dar inveja a muitos casais. Ele dizia que eu era a razão dele continuar lutando para viver, pois tinha uma doença incurável, que insistia em nos separar.

Mas tudo isso era esquecido quando estávamos juntos. Éramos viúvos. Nesses anos, quando eu não estava na casa dele, ele estava na minha. E quando eu tinha que ficar longe dele, o celular e o telefone tocavam a todo instante. Fizemos um lindo álbum com fotos incríveis. Ele pegava o carro e íamos para Boa Esperança, na casa dos irmãos dele, com chuva ou sem, era tudo alegria!

Baile em Duartina até o amanhecer, depois dormíamos na casa do José Luiz (Zé do Choque) e da esposa Rosana, irmão de Maçonaria, grandes amigos. Na exposição no recinto, andávamos por tudo, o dia inteiro. Fomos em Barra Bonita, passeamos de barco, almoço a bordo. Ele de boné do comandante... tirando lindas fotos.

Em Piratininga, carnaval; seresta da Luso; no Sesc, show de dança, teatro, que nunca tínhamos visto. Era tudo tão mágico! Bailes da Terceira Idade no Clube da Vovó, dos aposentados, era tango, valsa, bolero, sertaneja. Éramos os primeiros a entrar na pista e os últimos a sair. Ele era maçon da Maçonaria Luz do Paraíso. Fiquei encantada quando ele me levou para conhecer esse paraíso.

Nas festas de final de ano, dia das mães, festa junina, porco no rolete, o casamento do filho, Celso Avila e Célia, jantar na casa do Vicente e Marta. E o dia em que fomos ao parque de diversão? Andamos no carrinho de trombada. Ele quase me jogava para fora com as batidas. Quando as crianças notavam nossa presença, se empolgavam e nos cercavam. Simplesmente eu saía do meu e corria para o dele. Fomos várias vezes na fila, em seguida, na montanha russa. Quase morri de tanto gritar. Ele olhava para mim e sorria como uma criança feliz.

Para fechar a tarde, no início da noite, fomos dar a última volta. Foi no chapéu mexicano e, quando estávamos lá em cima, olhamos pra baixo e quem vimos? O amigo e irmão Antonio Ferro com a esposa Helena com os filhos dando muita risada. Ele grita e acena na maior alegria. Na descida, conversamos, nos despedimos do parque, passamos em uma lanchonete e lá vamos nós para casa, para a esperança, desejando que toda aquela felicidade fosse eterna. Não foi, mas, enquanto durou, nada nem ninguém nos separou, apenas Deus. E a Deus eu agradeço por ter nos proporcionado tanta felicidade e cumplicidade em nossas vidas!

Aparecida do Carmo Oliveira