08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Festa às custas de quem não pode!


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É uma grande realização e vai deixar marcas no coração. Uma grande conquista, mas antigas batalhas continuam na pista. Os Jogos Pan-Americanos deixam marcas físicas na cidade maravilhosa, mas não vai ter jeito, as mudanças urgentes permanecem para depois da festa. Após quatorze anos celebrando o esporte pelo mundo, este ano foi a vez do Brasil. A abertura da 15º edição dos Jogos, na última sexta-feira, dia 13 de julho, no Rio de Janeiro, foi marcada por vaias dos 75 mil presentes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intimidou-se e não fez o discurso de abertura. Vaia talvez de revolta quando mais de R$ 1,8 bilhão são gastos dos cofres públicos para pagar a conta da festa, enquanto milhões de cidadãos esperam por um prato de comida. Parece que os brasileiros não deixam mais nada barato, ou melhor, caro. Ou não, o público simplesmente não tolera mais engolir palavras de discurso falido.

Novos estádios, piscinas, dormitórios, ruas repavimentadas, postes de luz, novos encanamentos, etc. Tudo muito bem pensado e determinado pelos arquitetos contratados. Mas ao redor da cidade do Rio e do País cidadãos morrem a cada minuto em hospitais superlotados, crianças continuam a pedir esmola no sinaleiro, a fila de desempregados vira a esquina, mais um escândalo de lavagem de dinheiro, moradores das mais de milhões de favelas continuam a lutar para sobreviver no meio do esgoto ao céu aberto e barracos que desmoronam com a chuva.

Por fim, não me leve a mal. É, sim, uma conquista ter o Pan-Americano no nosso país. É um grande acontecimento para os esportes brasileiros, que muitas vezes se resume em futebol. O povo aprecia, assiste e quem pode pagar comparece. Viva essa energia!, como sugere a frase-tema dos jogos deste ano.

Mas a casa está precisando de grandes reformas: no político, judiciário e social. O povo vaia, mas não deixa de festejar. Nós, brasileiros, somos assim. Só que festas normalmente acontecem em momentos mais próprios a comemorações. Que a pretensão de ter os Jogos Olímpicos em 2016 no Rio de Janeiro seja mais realista. A casa precisa de uma faxina para depois receber o público.

Priscilla Sanches Salles