11 de julho de 2026
Nacional

Interesse do presidente do Senado por gado era desconhecido no Congresso

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A atividade parlamentar do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não reflete seu suposto interesse por gado, que veio à tona no final de maio, depois dele ser acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista de uma empreiteira. Desde 1995, quando chegou ao Senado, o mais perto que Renan chegou do assunto foi ao falar sobre a crise do setor leiteiro - tema de cinco discursos. Nesse período ele não apresentou nenhum projeto correlato.

Em sua defesa no Conselho de Ética, Renan tem se mostrado um empresário bem-sucedido na venda de gado para corte. Ele apresentou documentos para comprovar que teria ganho R$ 1,9 milhão com a atividade nos últimos quatro anos. Assim pretende mostrar que teria dinheiro suficiente para pagar R$ 12 mil mensais à jornalista Mônica Veloso, com que tem uma filha.

A pensão alimentícia era entregue por Cláudio Gontijo, lobista da Mendes Júnior. Na biografia que Renan mantém em seu site também não há nada sobre suas atividades agropecuárias. A lucratividade obtida por ele com venda de gado é considerada fora dos padrões por pecuaristas nacionais.

Em depoimento ao Conselho de Ética, Gontijo disse que esse é o maior interesse de Renan, de quem seria amigo há mais de vinte anos. “É o assunto por que ele mais se interessa, que ele mais gosta de tratar, que mais tem prazer de conversar é sobre essa fazenda, a cerca, o detalhe do boi que não sei o quê”, afirmou o lobista.

Até o estouro da crise, colegas de Renan no Senado não tinham conhecimento dessa sua atividade. “A minha paixão evidente é o Renda Básica de Cidadania e acho que não há dúvida disso. Eu não conhecia esse gosto de Renan por bois e nunca o vi falando disso”, afirmou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP).