O prefeito Tuga Angerami disse ontem que não “se justifica” o custo de abertura de uma nova rua no Jardim Panorama ao invés de se manter o projeto de venda de dois terrenos da prefeitura no bairro para destinar os recursos para pavimentação na periferia. Na avaliação do prefeito, não tem sentido a “celeuma que moradores quiseram dar a esta questão, para uma rua que nunca existiu e para um bairro bem servido de acessos à avenida Nações Unidas, contra uma população que reclama por asfalto na periferia”.
Após receber alunos de uma escola municipal, ontem à tarde, o prefeito comentou que vai se reunir com os vereadores, se for preciso, para discutir o projeto. “Mas pode não ser necessário porque existem vários aspectos já levantados entre os próprios vereadores. O custo da abertura de uma rua no local seria injusto para um bairro que conta com bons acessos e, além disso, levantar despesa para uma região já servida ao invés de tentar manter dois terrenos da prefeitura juntos para leiloar e ter dinheiro para asfalto é uma questão de bom senso”, complementa.
Angerami sustenta ainda que abrir a rua no meio dos dois terrenos públicos traria prejuízos. “Encaminhei esse projeto de forma tranqüila para a Câmara. O Jardim Panorama não tem mais onde expandir, já limitado pela rodovia de um lado e a Nações do outro. É uma região totalmente urbanizada, iluminada. Essa questão não me sensibiliza e duas quadras de uma via iriam servir para que? A necessidade é de se fazer asfalto na periferia de Bauru. Abrir rua iria desvalorizar os terrenos que se pretende leiloar e o custo para abrir a rua não se justifica”, acrescenta.
O conflito
O prefeito reconhece que no papel de administrar conflito de interesses, “desde sempre os moradores do Panorama viveram e vivem bem sem esse acesso. O apelo é para que os moradores se sensibilizem e sejam solidários a quem não tem asfalto no Jaraguá, Santa Edwirges, Nove de Julho, Pousada da Esperança. Isso sim é prioridade. E abrir rua no Panorama também exigiria observar o reflexo de ser mais um local que vai levar água direto para a avenida. E teria de investir em rede de galerias. Está faltando a moradores pensar a cidade de forma mais solidária, ver que é possível abrir mão de uma reivindicação em favor de centenas que sofrem com muito mais carências”, finaliza.
Segundo a administração, não há problemas jurídicos quanto à destinação dos lotes que se pretende vender para levantar recursos ao fundo de melhorias e de infra-estrutura. “Os lotes estão devidamente registrados em cartório, com a documentação legalizada e a discussão sobre viaduto não tem mais sentido porque senão o Instituto e o Cerest do outro lado também não sairiam e isso já foi regularizado, referente a uma previsão feita há mais de 20 anos, que hoje não é mais possível. E se não era nem para rua, como vai querer agora ter rua que nunca existiu”.
A prefeitura aguarda aprovação de projeto de lei que visa autorizar a alienação de três terrenos para que sejam leiloados, por licitação. O produto da venda, com definição de preço mínimo, é para alocar recursos no fundo de infra-estrutura. São 7.355 metros quadrados em três lotes, que podem render até R$ 5 milhões pelo valor de mercado. Segundo levantamento prévio, a administração acredita que os recursos seriam suficientes para pavimentar até 15 quilômetros na cidade.