Ontem, o que seria o terceiro protesto realizado pelos funcionários da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep) em 22 dias, não chegou a ser realizado. Por outro lado, a categoria decidiu deflagrar greve por tempo indeterminado a partir da próxima segunda-feira. Segundo o diretor do Sindicato dos Eletricitários (Sinergia/CUT) Francisco Wagner Monteiro, os trabalhadores garantirão o fornecimento de energia elétrica à população enquanto durar o movimento.
“Os trabalhadores estão lutando por seus direitos e nunca deixariam uma manifestação da categoria colocar em risco os serviços prestados à população. Energia elétrica é um bem essencial e os trabalhadores têm plena consciência disso. Quem está colocando em risco a segurança das pessoas é a Cteep, que está expondo seus funcionários a excessivas jornadas de trabalho”, acusa Monteiro.
Segundo ele, durante a semana estariam sendo cada vez mais comuns casos de funcionários trabalhando até 12 horas por dia. Na avaliação do sindicato, a jornada excessiva nesse tipo de atividade é muito perigosa, pois os trabalhadores ficam vulneráveis aos fatores de risco inerentes às funções que desempenham.
Ainda de acordo com Monteiro, a suspensão da paralisação de 24 horas prevista para ontem ocorreu em função do que o Sinergia chamou de assédio moral por parte da diretoria da Cteep.
“Eles (a empresa) contrataram uma produtora de vídeo para filmar os trabalhadores no movimento. Isso é assédio moral, porque o objetivo era intimidar os trabalhadores a aprovarem a greve, ou mapear quem estava votando a favor da greve. A produtora disse que tinha autorização para filmar, mas nós a desautorizamos, porque quem é responsável por coordenar a mobilização é o sindicato. Então, nós não permitimos que eles ficassem do lado de fora da empresa, junto com os trabalhadores. Mas eles ficaram tentando filmar do lado de dentro”, afirma.
Votação
Na unidade de Bauru, a Cteep possui 120 funcionários. Do total de participantes da assembléia de ontem, 50 votaram a favor da greve e quatro votaram contra. Segundo Monteiro, o número de votantes representa metade mais um do total de funcionários que estavam na empresa ontem.
“Para impedir que eles participassem da paralisação e da assembléia de hoje (ontem), a empresa colocou os trabalhadores operacionais para viajar no domingo”, acrescenta o sindicalista.
Conforme divulgado pelo Jornal da Cidade, a paralisação que seria realizada ontem foi definida como forma de protesto contra a interrupção das negociações da campanha salarial por parte da empresa. A categoria começou pedindo reajuste salarial de 5%, mas aceitou a contraproposta de 4,5% mais abono de R$ 350,00. Depois disso, as negociações teriam sido interrompidas.
Os principais pontos que levaram os funcionários a decidir pela greve são: a retirada da garantia de emprego prevista em acordo coletivo, a implantação do trabalho não remunerado aos domingos em troca de uma folga durante a semana e a intenção da empresa implantar uma participação nos lucros e resultados (PLR) diferenciada para os cargos de gerência - além de reduzir em R$ 1.250,00 a PLR da maioria dos trabalhadores.
A Cteep foi privatizada no dia 28 de junho do ano passado pela empresa colombiana Interconexión Eléctrica S/A, que comprou a companhia de transmissão de energia por R$ 1,193 bilhão. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) avaliou o valor real da empresa em R$ 12 bilhões.
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Assédio moral
Em nota enviada à reportagem por sua assessoria de imprensa, a Cteep diz que “a empresa respeita a liberdade sindical e em nenhum momento atua com o objetivo de coação ou restringindo a atuação das bases sindicais. A Transmissão Paulista acredita e privilegia a negociação com os sindicatos representativos de seus colaboradores e aguarda as decisões em assembléias”.
Sobre a acusação de assédio moral feita pelo Sindicato dos Eletricitários (Sinergia/CUT), de que a empresa teria contratado uma produtora de vídeo para filmar e intimidar os trabalhadores durante a manifestação de ontem, na nota a Cteep alega preocupação com a preservação de seu patrimônio.
“Para garantir o acesso dos colaboradores ao local de trabalho, para preservar o patrimônio próprio e de terceiros e para segurança da manutenção da devida continuidade na prestação dos serviços de transmissão de energia elétrica, considerado essencial à população, a empresa contrata serviço de filmagem para registro das manifestações. O referido registro dos acontecimentos é um instrumento essencial para medidas de proteção ao indivíduo, ao patrimônio e ao sistema (...).”