Tóquio - Dois terremotos, o primeiro de 6,8 graus e o segundo entre 6,6 e 6,8 graus na escala Richter, atingiram a costa oeste do Japão ontem e deixaram um saldo de ao menos oito mortos, 900 feridos e 10 mil pessoas retiradas de suas casas, segundo informações oficiais. O primeiro terremoto também causou o vazamento de pequena quantidade de água com materiais radioativos de uma usina nuclear japonesa, sem ameaçar o ambiente.
O vazamento, da central nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, na Província de Niigata, levou a água contaminada para o mar do Japão, em um incidente que não foi relatado ao público durante horas. A central afirma no entanto que não há riscos para a população.
Agências oficiais do Japão advertiram que ainda há risco de novos tremores no país. O primeiro terremoto, que teve seu epicentro a 17 km de profundidade na região de Niigata, sacudiu o noroeste do Japão e foi seguido de várias réplicas.
Oito pessoas, todas com mais de 70 anos, morreram em conseqüência deste tremor, enquanto 900 outras ficaram feridas e ao menos 10 mil tiveram de ser retiradas de suas casas, informou a polícia de Tóquio. Os oficiais afirmam que o número de mortos ainda pode aumentar após serem finalizadas as buscas em áreas de desabamentos no país.
O governo disponibilizou 100 centros para acolher as pessoas desabrigadas em Niigata após o tremor inicial, que atingiu o país às 10h13 (22h13 de domingo em Brasília).
Um segundo tremor voltou a atemorizar o país por volta das 23h18 (11h18 de Brasília). A agência japonesa Kyodo afirmou que o terremoto foi de 6,6 graus na escala Richter, enquanto o Centro de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos registrou a intensidade de 6,8 graus. Este novo tremor, no entanto, ocorreu a uma profundidade de 350,7 quilômetros sob o solo do mar do Japão, perto da região de Kyoto, e foi sentido com menos intensidade nas cidades do país. Ele alcançou o grau quatro de uma escala japonesa de sete níveis de intensidade.
Um tremor deste nível não costuma provocar danos significativos, e nenhum alerta contra tsunamis foi emitido. Agências de pesquisa japonesas alertaram que durante toda a semana poderão ser registrados novos tremores de intensidade próxima dos 6 graus na escala Richter.
O Japão está localizado em uma das zonas sísmicas mais ativas do mundo.
A Companhia de Energia Elétrica de Tóquio (Tepco) confirmou que uma pequena quantidade de água contendo materiais radioativos vazaram da unidade seis da usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, uma das maiores do mundo. O vazamento ocorreu depois que a usina sofreu um incêndio em decorrência do primeiro tremor, que já foi controlado. Durante o incêndio, os reatores da usina se desligaram automaticamente para checagem.
Segundo a Tepco, a água que vazou para o mar do Japão estava dentro dos níveis legais e seguros de contaminação e não terá efeitos no ambiente. Anteriormente a empresa havia afirmado que não foram registrados vazamentos na usina.
O primeiro tremor foi sentido até na Capital do país, Tóquio. “Fique com tanto medo... os piores tremores continuaram por ao menos 20 segundos”, disse Ritei Wakatsuki, funcionário de uma loja em Kashiwazaki. “Quase desmaiei de tanto medo”, acrescentou, em alusão ao primeiro terremoto. “Primeiro houve um forte choque vertical depois ficamos sentindo tremores de um lado para o outro por um longo tempo. Eu não conseguia ficar de pé, prateleiras caíram e tudo ficou jogado”, disse Harumi Mikami, 55 anos, uma professora que estava em sua escola em Kashiwazaki, perto do foco do terremoto da manhã. Muitas casas, a maioria de madeira, desabaram. Crateras foram abertas nas rodovias e o teto de um templo caiu.
Os serviços de trens foram interrompidos no norte do Japão devido ao tremor inicial. Um dos trens que estava viajando na hora do terremoto saiu dos trilhos, mas a mídia informou que não há feridos. A energia e o gás foram cortados de várias casas e a NHK afirmou que 37 mil moradias ficaram sem água. Alertas contra tsunamis chegaram a ser lançados no país após o primeiro terremoto, mas mais tarde foram suspensos sem registro de ondas gigantes.
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Saiba mais sobre a escala Richter
A tabela de medição da intensidade de energia sísmica liberada por terremotos conhecida como escala Richter surgiu em 1935, idealizada pelo sismólogo americano Charles F. Richter. Após recolher dados de inúmeras ondas sísmicas liberadas por terremotos, Richter criou um sistema para calcular as magnitudes dessas ondas. Teoricamente, a escala Richter não possui limite.
Escala Richter: efeitos do terremoto
• Menos de 3,5: geralmente não é sentido, mas pode ser registrado
• 3,5 a 5,4: freqüentemente não se sente, mas pode causar pequenos danos
• 5,5 a 6,0: ocasiona pequenos danos em edificações
• 6,1 a 6,9: pode causar danos graves em regiões onde vivem muitas pessoas
• 7,0 a 7,9: terremoto de grande proporção, causa danos graves
• de 8 graus ou mais: terremoto muito forte. Causa destruição total na comunidade atingida e em comunidades próximas
* Esta tabela é “aberta”, portanto não é possível determinar um limite máximo de graus
** Ainda que cada terremoto tenha uma magnitude única, os efeitos de cada abalo sísmico variam bastante devido à distância, às condições do terreno, às condições das edificações e de outros fatores.