A economia estável continua gerando reflexos no aquecimento do setor imobiliário. De janeiro a junho deste ano, a superintendência regional da Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru liberou R$ 66,8 milhões em financiamentos de imóveis para os 95 municípios de sua área de abrangência. O valor é 22% maior do que o montante contratado no mesmo período do ano passado.
Em relação ao número de contratos, foram 2.872 assinados nos primeiros seis meses de 2007 contra 2.495 no primeiro semestre do ano passado - aumento de 15%. O valor médio da maioria dos financiamentos fechados até o momento foi de R$ 23 mil.
Além da demanda reprimida, a segurança da população com a economia estabilizada é o principal motivo do aumento na concessão de crédito imobiliário, na avaliação do gerente de negócios da Caixa em Bauru Olair Ribeiro Filho. A desburocratização do processo também foi importante, pois atualmente são exigidos apenas os documentos do imóvel e de quem está comprando e vendendo.
“A estabilidade econômica dá segurança às pessoas para fazer empréstimos de longo prazo. Está começando a mudar aquela cultura disseminada entre a população de que as parcelas do financiamento habitacional aumentam todo mês. Existem contratos em que o mutuário tem a garantia de que vai pagar o mesmo valor até o final, e outros em que as prestações até diminuem um pouco”, observa Ribeiro Filho.
Ele se refere ao Sistema de Amortização Crescente (Sacre) utilizado pela Caixa, que tem capacidade para absorver uma variação monetária do contrato de até 3%. Ou seja, mesmo que ocorra essa alteração, o valor das prestações vai diminuindo ao longo do financiamento.
Em uma imobiliária consultada pela reportagem, o gerente Júlio César Cardoso diz que a maior procura é por apartamentos ou casas em condomínios fechados. “Há cerca de quatro anos vem aumentando a preferência por apartamentos em função da segurança. Isso ocorre independentemente da idade e do perfil do comprador”, diz. Segundo ele, os imóveis mais procurados na imobiliária estão na faixa de R$ 35 mil a R$ 70 mil.
Oferta
A maior oferta de crédito habitacional, inclusive com a entrada de outras instituições financeiras nesse mercado, também influencia no desempenho do setor. Com a concorrência, os bancos são estimulados a investir em mais facilidades e a reduzir as taxas de juros cobradas nessas operações. Segundo Ribeiro Filho, entre os contratos assinados durante o primeiro semestre deste ano na região de Bauru, as taxas de juros variam de 6% a 12% ao ano. Elas são fixadas de acordo com a renda do tomador do crédito e da origem do recurso, que pode ser do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), da poupança e de outros fundos.
De acordo com Ribeiro Filho, a procura por imóveis usados ainda é maior. As casas predominam entre os contratos assinados, na comparação com apartamentos. “É evidente que (a aquisição de) um imóvel novo mexe (de forma mais imediata) na economia, mas o imóvel usado dá uma mexida com efeito cascata. Muitas vezes, quem vende um imóvel usado vai construir outro para vender, vai comprar outro de maior valor ou, então, vai usar esse dinheiro para alguma coisa. Isso movimenta o mercado”, analisa o gerente.
Segundo ele, a estimativa da Caixa para este ano é de liberar cerca de R$ 150 milhões em financiamento habitacional para os 95 municípios abrangidos pela superintendência regional de Bauru. Se a procura continuar nesse ritmo, pode haver a necessidade de solicitar verba suplementar ao governo federal. No ano passado, o volume liberado na região não chegou a R$ 100 milhões.
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Casa nova
Há cerca de apenas um mês, Rosana Arantes deu entrada em um financiamento habitacional na Caixa Econômica Federal. Ela, que já possuía um imóvel, está conseguindo realizar o sonho de morar em um apartamento maior e melhor localizado, de acordo com as necessidades da sua rotina diária.
“Vendi o imóvel que eu tinha e dei entrada num contrato de compra e venda. O apartamento em que eu morava era de dois dormitórios, e esse que eu estou negociando tem três quartos e uma localização bem melhor, é mais perto do meu trabalho”, conta.
Rosana deu o valor da venda do apartamento como sinal, vai usar o seu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e financiar R$ 40 mil na Caixa. O imóvel escolhido por ela é avaliado em R$ 100 mil.