O cidadão brasileiro já está acostumado. Basta fazer alguma compra a prazo, pedir empréstimos, pagar qualquer conta com atraso, que eles aparecem: os juros. As taxas cobradas no Brasil são consideradas as mais altas do mundo. Mas o que são esses vilões, que tanto tiram o sono dos consumidores?
O economista Fernando Pinho explica que, o juro, nada mais é do que o preço de uma mercadoria chamada dinheiro. Ou seja, assim como o consumidor vai ao supermercado, a uma loja, e paga um preço por determinado produto, os juros são cobrados para pagar o dinheiro que é tomado por empréstimo, por exemplo. “É o aluguel do dinheiro que alguém toma emprestado, por não ter condições imediatas de comprar alguma coisa à vista”, frisa.
Ele destaca que é algo bem simples de se entender, já que o consumidor só precisa lembrar de incluir o dinheiro como um bem de consumo, isso quer dizer que é uma mercadoria como outra qualquer e o preço dela é o juro.
Esse preço é estabelecido da mesma forma que a maioria dos produtos, pela chamada lei de oferta e procura. De acordo com Pinho, existe, de um lado, uma série de pessoas que têm superávit de renda, ou seja, poupam mais do que gastam.
Essas pessoas fazem suas despesas normais e o que sobra é aplicado nos bancos. Os bancos pagam uma taxa de juros ‘X’ para esse aplicador e recicla esse dinheiro, através do sistema financeiro, para a outra ponta, que é o tomador de recursos, ou a pessoa que precisa desse dinheiro para financiar alguma coisa. “Então, os bancos atuam apenas como intermediários. Isso significa que a taxa de juros não contempla somente o lucro dos bancos”, salienta.
Pinho ressalta que, além de ter de pagar uma remuneração para o aplicador em fundo de renda fixa, caderneta de poupança e outras modalidades, o banco precisa arcar com impostos, passivos trabalhistas, custos administrativos e inadimplência. O custo do dinheiro é composto disso tudo.
Concorrência
O economista destaca que a taxa de juros cobrada pelos bancos só não aumenta mais porque há no Brasil uma concorrência muito forte, que aumentou ainda mais com a entrada de instituições financeiras de outros países. Ou seja, não há um parâmetro para que os bancos estabeleçam quanto de juros vão cobrar. “Só não aumenta porque há muitas pessoas ofertando dinheiro”, diz.
Nem a famosa taxa Selic estabelece parâmetros para determinar de quanto será o juro cobrado por este ou aquele serviço. Pinho frisa que a taxa não chega ao consumidor comum, sendo mais utilizada por grandes empresas, com nível de risco muito baixos. “Essas empresas conseguem casar alguns tipos de operações financeiras, como fazer um bom financiamento em troca da aplicação de uma taxa menor. Mas isso está muito ligado aos grandes negócios”, explica.
Em resumo, para o cidadão comum a taxa Selic não é motivo de muita preocupação porque dificilmente qualquer alteração feita pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central atingirá o consumidor final.
Com tudo isso, Fernando Pinho alerta que o melhor negócio ainda é comprar à vista, porque os juros cobrados em compras a prazo são muito altos e não compensam. “Existe toda um preconceito contra a taxa de juros, mas nós não podemos esquecer o seguinte: o juro é o castigo que uma pessoa paga por insistir em consumir acima de sua capacidade de renda. É frio, mas é assim”, frisa.
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Correção monetária
Muito “popular” nos anos anteriores ao real, a correção monetária era a verdadeira vilã para os consumidores. Atualmente, o termo anda em desuso, segundo o economista Fernando Pinho. A correção monetária é quase “marginal”, não no mal sentido, pois ela foi extinta oficialmente. No entanto, em alguns financiamentos ainda se encontra a taxa de correção monetária.
Pinho explica que atualmente, a correção monetária foi substituída por valores embutidos nos juros. “Quando você atrasa alguma prestação, a taxa de juros é muito acima da inflação. Se você for ver bem, esse nome correção monetária sumiu, mas as taxas aumentaram. O que era chamado correção monetária, hoje é cobrado, mas com outro nome”, explica.