08 de julho de 2026
Geral

Passageiros relatam tristeza em Congonhas

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Quem passou ontem por Congonhas enfrentou o clima de tristeza que dominava o aeroporto e teve de ter paciência para esperar, pois muitos vôos foram cancelados ou atrasaram. A advogada Mirian Figueiredo, por exemplo, chegou a Bauru, no aeroporto Moussa Tobias, ontem à tarde extremamente cansada. “Eu não consigo nem falar”, disse ela reclamando das quase três horas de atraso.

Segundo Mirian, a desorganização no aeroporto de Congonhas era grande. “Era uma falta de informação tremenda. Minha bagagem foi perdida, tive que fazer check-in duas vezes”, declarou. Passageiros que desembarcaram no mesmo vôo disseram que o clima em Congonhas era tenso. “Todos os funcionários estavam muito tristes e as pessoas muito irritadas com a falta de informação”, observou a assistente de administração Cristina Rigler.

A funcionária dos Correios Soraia Senna, que chegou a Congonhas no horário do acidente na terça-feira e ontem à tarde desembarcou em Bauru, conta o que viu. “Quando desembarquei, vi muita gente correndo e chorando. Todos desesperados. Foi difícil entender o que estava acontecendo”, relata, frisando que o avião dela demorou duas horas para pousar por causa do acidente.

Soraia passou a noite de terça-feira num hotel pago pela TAM, voltou para Congonhas ontem às 10h15 e só conseguiu embarcar para Bauru cinco horas depois. “Não era possível saber o horário exato dos vôos. Foi horrível”, desabafa. No aeroporto Moussa Tobias ontem à tarde, passageiros esperavam ansiosos o próximo vôo para São Paulo.

O instrutor de panificação José Carlos Piagente embarcou com 40 minutos de atraso. Usando uma corrente com a bandeira do Brasil pendurada no pescoço, Piagente estava a caminho do Rio de Janeiro, onde irá trabalhar na padaria da vila dos Jogos Pan Americanos.

Sem idéia de quanto tempo ia levar para chegar ao seu destino e com escala em São Paulo, ele apelava para Deus. “Do jeito que as coisas estão complicadas, só Deus sabe”, declarou. A médica Vanessa dos Santos Silva chegou atrasada ao aeroporto Moussa Tobias sem medo de perder o avião. “Fiz isso porque sabia que ia atrasar para embarcar mesmo”, explicou.

Vanessa iria viajar no vôo anterior, das 14h05, que foi cancelado, e ainda precisava de fôlego para fazer conexão de São Paulo para Brasília. “Me arrependo por não ter ido de ônibus”, desabafou carregando um livro grosso em sua bagagem de mão para enfrentar previsível atraso no aeroporto de Congonhas.

Apesar do acidente na Capital, nenhum dos passageiros entrevistados no aeroporto Moussa Tobias demonstraram medo em viajar de avião.