10 de julho de 2026
Regional

Plantador de cana critica alto custo

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A Associação dos Plantadores de Cana do Médio Tietê (Ascana) - considerada a quarta maior do Brasil - critica os altos custos de manutenção da lavoura canavieira, que estariam aumentando cerca de 15% ao ano, enquanto que o preço pago pelo produto estaria defasado há dois anos.

“O produtor de cana tem altos custos para a manutenção da lavoura que, em função de vários fatores, aumentam aproximadamente 15% ao ano, enquanto que o preço recebido pela cana hoje é praticamente o mesmo de 2005”, critica o diretor de Relações Institucionais da Ascana, Luís Fernando Antunes Capelari.

Ele ressalta que o trabalho dos produtores começa com o preparo do solo, seguido do plantio e consequentemente a entrega da cana nas usinas. “Em todo este processo, precisam ser calculados os impostos, as taxas e os custos de produção e transporte”, lembra Capelari. “Hoje, temos que trabalhar focados no socialmente justo, ambientalmente correto e economicamente viável, mas nem sempre é fácil equilibrar esta equação”, completa.

Para o diretor da Ascana, quando o preço do álcool baixa nas usinas, na prática, quem sempre sai ganhando são os atravessadores. “Quando o preço do álcool baixa nas usinas ele deveria ser imediatamente repassado ao consumidor final, mas na prática isso quase nunca acontece, os produtores recebem menos, os consumidores pagam mais e quem sempre sai ganhando são os atravessadores”, confirma.

De acordo com Capelari, os custos dos produtores, no que se refere a questão ambiental, passam pela utilização de produtos certificados pelos órgãos competentes e de baixo impacto para fauna e para flora, além da preocupação com a recuperação de áreas de mata ciliar degradadas ao longo dos anos.

Pelo lado social, na opinião de Capelari, o setor canavieiro evoluiu muito. A Ascana utilizada os dados da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego (Rais) para mostrar que a proporção de trabalhadores rurais com carteira assinada no setor da cana-de-açúcar é de 93,8%, ou seja, índice superior à média de empregos formais no Brasil, estimado em 50%. Além disso, segundo a Ascana, contínuas melhorias têm sido praticadas quanto a medicina/saúde e segurança do trabalhador.

O uso de tecnologia de produção também á apontado como um dos fatores que contribuem para o encarecimento dos custos da lavoura, segundo a entidade. “Ela é essencial para que o setor produza mais sacarose na mesma área plantada”, informa.

De acordo com o site da Ascana na Internet, o preço do ATR (Açúcar Total Recuperável) Relativo está hoje 23,5% menor em relação ao mesmo período de 2006. Caiu de R$ 0,34 para R$ 0,26 o quilo da cana-de-açúcar.

A Ascana

A Ascana é uma associação que congrega mais de mil plantadores de cana espalhados por 20 municípios da região do Médio Tietê. Juntos, os fornecedores têm uma área de cana plantada de 130 mil hectares, o que proporciona uma produção estimada de 7,5 milhões de toneladas de cana que são entregues em usinas e destilarias da região. A Ascana tem como prioridade dar sustentação técnica aos seus associados. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, a Ascana atualmente só perde em quantidade de cana produzida para as regiões de Sertãozinho, Piracicaba e Catanduva.