O personagem Fred da novela Paraíso Tropical, da Rede Globo, é um grande apreciador de vinhos e deixa os espectadores com água na boca com seus diálogos sobre a bebida. Há dois bons motivos para matar essa vontade: além do frio, a queda do dólar indica que esse é um ótimo momento para o consumo da bebida, que está mais barata.
O Jornal da Cidade constatou, durante pesquisa feita em uma rede de supermercados, que é possível encontrar um vinho chileno de alta qualidade por R$ 15,98 o litro, mesmo preço de uma caixa de cerveja gelada. O comprador deste setor da rede, Carlos Gomes Júnior, explica que a queda de 30% no preço dos vinhos importados em abril deste ano resultou no aumento de 16% das vendas em maio e de 39% em junho, comparado ao mesmo período do ano passado. “Com esse friozinho, a expectativa é aumentar ainda mais esses números”, comemora.
Para quem está na dúvida sobre que tipo de vinho deve comprar, o empresário e especialista Jefferson Previero, o Jeff, aposta nos chilenos e argentinos, que segundo ele, têm o maior “custo-qualidade” devido às frutas de suas composições. “O aroma frutado atrai muito o brasileiro”, acredita.
Quando o assunto são os vinhos nacionais, Jeff destaca os espumantes produzidos na região Sul, muito usados para comemorações. Um dos mais versáteis é o Brut, que também pode ser degustado antes das refeições e acompanhando pratos leves.
“Eu compro sempre os nacionais para prestigiar o nosso País”, declarou Afonso Anschau, 64 anos, enquanto escolhia as duas garrafas que leva para casa toda semana. “Tomo sempre um copo de vinho tinto à noite, faz bem para o coração. Mas também porque gosto.”
Mas para apreciar a bebida de forma ainda mais prazerosa, é preciso prestar atenção em sua cor e cheiro, como explica Jeff. “Degustar um vinho é bebê-lo prestando atenção”, ensina. Para aproveitar ainda mais esse momento, a dica do especialista é cheirar o vinho para conferir se está em condições de uso, balançar a taça num movimento circular e cheirá-lo novamente.
“É nesse momento que irá buscar a complexidade do vinho. Quanto mais complexo, maior a qualidade e mais prazer ele pode dar em todos os sentidos”, garante.
A paixão de Jeff pela bebida começou há 20 anos e foi reforçada há 15 anos, quando ele teve um problema de saúde devido à retenção de líquidos. “O médico disse para parar de tomar cerveja porque eu estava muito inchado e pediu para substituir por outra bebida alcoólica que não tivesse esse efeito. Daí, eu percebi que a minha paixão era realmente o vinho”, conta Jeff, que cursou até pós-graduação para aprender mais sobre vinhos.
Escolha certa
Christina Sampaio, 34 anos, adora reunir os amigos para comer fondue e apreciar um bom vinho, mas fica na dúvida sobre qual das opções deve levar para casa. “Eu gosto muito, mas é meu marido que compra para mim”, diz, enquanto observa dezenas de variedades na prateleira do supermercado.
Segundo o especialista Jeff, a dica básica para uma boa escolha é: pratos leves combinam com vinhos leves e pratos pesados devem ser acompanhados por um vinho mais encorpado. “O sabor do prato não pode ser acima do sabor do vinho. Um bolo, por exemplo, não pode ser mais doce do que a bebida que o acompanhar. É preciso harmonizar para dar o contraste de sabores”, explica.
Exemplos de vinhos leves são pinot noir e gamay. Entre os mais encorpados, que possuem mais tanicidade - qualidade que proporciona a sensação de “amarrar” a boca - estão o cabernet e o ideias, apropriados para acompanhar pratos mais engordurados.
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Para acompanhar
Carnes - Os vinhos brancos combinam com as carnes brancas, como frango e peixe; já o tinto forma ótima parceria com carnes vermelhas.
Massas - Para escolher o vinho adequado para esse tipo de prato, deve-se levar em conta o molho usado na receita. Massas com molho de tomate combinam com vinho tinto suave; se o molho tiver carne ou for mais encorpado, a dica é investir em tintos mais pesados. Massas com molho aos quatro queijos ficam melhor com vinho branco ou rosé, mais suaves. A mesma sugestão vale para os molhos rosé ou ao pesto.
Pizzas - Os tintos mais pesados combinam com pizzas mais condimentadas, como a de calabresa; já a pizza portuguesa combina tanto com vinho branco quanto os tintos suaves.
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Condições ideais de conservação:
Tintos: 16 graus
Brancos e rosés: gelados
Espumantes: muito gelados
Após abertos, devem ser mantidos na geladeira até no máximo dois dias.