08 de julho de 2026
Geral

Brasileiro quer voltar do Japão de jet-ski

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Usando uma roupa azul, com a bandeira do Brasil estampada em seu braço esquerdo, Sérgio Mahoe, 40 anos, faz manobras no mar de Yokkaichi, em Mie, no Japão, a bordo de seu jet-ski, como mostra a foto em seu site. Ele se prepara para percorrer 45 mil quilômetros numa viagem solitária, que nomeou de “Jornada Centenária”. O publicitário brasileiro, que tem amigos em Bauru, mora no Japão desde 1991 e decidiu que irá voltar ao seu país pilotando um jet-ski sozinho.

“No início não dei muita atenção para a hipótese, achava-a meio maluca!”, confessa. A chegada ao Brasil tem data marcada: 18 de julho de 2008, dia em que serão comemorados 100 anos da imigração japonesa. “Confesso que cheguei a pensar em outra forma de prestar esta homenagem, mas o único meio de transporte marítimo que se identificava com o meu estilo de aventura era mesmo o jet-ski”, declara.

Mahoe fará o mesmo percurso dos imigrantes japoneses: sairá em abril de 2008 do porto de Kobe com destino a Santos. “Achei que a homenagem teria que ser pelo mar e não por terra. Foi a única forma encontrada de homenagear com uma certa originalidade e com o mesmo espírito de aventura deles”, declara o homem-coragem, que tem outras travessias em seu currículo.

Ele voltou do Japão para o Brasil em 2002 de moto e demorou oito meses para chegar em São Paulo. “Descobri coisas maravilhosas, como por exemplo a capacidade que todos nós, seres humanos, temos quando buscamos e persistimos por algum ideal”, conta sobre a sua última aventura.

Os preparativos para a viagem de jet-ski começaram há quatro anos. “Esse foi o tempo suficiente para o preparo e está tudo conforme a programação. A expectativa é muito boa. Não posso esconder essa verdade”, diz.

Em 2003, Mahoe entrou em contato com navegadores e aventureiros japoneses que tinham experiência de viagens em regiões por onde pretendia passar. Em outubro de 2006, adquiriu a licença de navegação marítima e comprou um jet-ski para fazer as adaptações necessárias para a jornada.

“Não sou um navegador experiente, mas tenho me dedicado ao máximo com o auxílio de um instrutor japonês que me acompanha nos treinamentos em alto mar”, declara, confiante. Ele gastou 3 milhões de ienes (do próprio bolso) para organizar os primeiros passos da empreitada, mas o custo total da viagem deve sair em torno de 30 milhões de ienes, verba que ainda não conseguiu, pois tem apenas um patrocinador até agora.

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Roteiro

Na travessia de Sérgio Mahoe será percorrida a costa marítima de 16 países, num total de 45 mil quilômetros, sendo um trecho entre o Japão e a Rússia em mar aberto e outro por terra, no Alasca. Seu jet-ski é um Yamaha - MJVX DX, ano 2006, com tanque de capacidade para 60 litros de gasolina.

O aventureiro precisará de aproximadamente 45 mil litros de combustível nessa viagem, pois o veículo faz no máximo um quilômetro por litro. Mahoe pretende percorrer 300km por dia, em turnos de oito horas, fazendo paradas sempre que necessário.

A comunicação durante a travessia será feita via rádio amador e uma das bases estará em Bauru, onde Mahoe poderá contar com a ajuda do amigo Keneti Kawashina. “Vou poder assessorá-lo caso aconteça algum imprevisto”, comenta Keneti, orgulhoso. “Vai ter festa quando ele chegar”, adianta. As outras bases pelas quais Mahoe poderá se comunicar via rádio estarão em Salvador (BA), Seto (Gifu, Japão) e mais uma central em Nagoya.