A investigação para tentar descobrir se uma criança que nasceu na Maternidade Santa Isabel, em Bauru, em 21 de outubro de 2001, está viva ou realmente morreu – como está no atestado de óbito – e se morreu onde está enterrada, terá mais um capítulo. Reginaldo Aparecido de Souza e Vera Lúcia Dutra, que enterraram uma criança em Bauru como seu filho, mas dias depois desconfiaram da troca de bebês e acionaram a polícia, esperavam que o exame de DNA feito nas ossadas das outras três crianças que morreram no mesmo dia esclarecesse o caso. Mas os laudos não foram conclusivos e agora a polícia solicitará teste de DNA de todas as mães das 14 crianças que nasceram no mesmo dia na maternidade e estão vivas.
Em fevereiro, uma equipe do Instituto Médico Legal (IML) colheu amostras da ossada dos outros três bebês mortes – dois enterrados em Bauru e um em Guaiçara - para exame de DNA na tentativa de descobrir se algum deles era o filho ou filha de Reginaldo e Vera Lúcia. Isso porque ela foi informada que deu à luz um menino, mas a criança enterrada era do sexo feminino.
Os resultados dos exames de DNA chegaram ao IML e revelaram que dois dos três bebês exumados não são filhos de Vera Lúcia e Reginaldo. Porém, por causa do adiantado estado de decomposição da ossada da terceira criança, o exame de DNA ficou impossibilitado, explica o médico Ivan Segura, diretor do IML. Ou seja, os exames não foram suficientes para esclarecer o caso.
Alternativa
Como ainda não foi possível descobrir se o filho ou filha do casal realmente morreu e, se morreu, onde está enterrado, a alternativa agora é fazer DNA de todas as 14 mães que deram à luz no mesmo dia que Vera Lúcia e cujos filhos estão vivos para comparar com o exame das crianças. “Com isso, será possível descobrir se toda mãe está com o filho correto, se há troca ou não. Se o exame de uma mãe não bater com o do filho, vamos cruzar os dados com os das outras mães para descobrir quem é a mãe desta criança. Ou seja, será possível descobrir se houve troca entre as crianças vivas”, explica Segura.
Porém, se os exames de DNA revelarem que as mães estão com seus respectivos filhos, ficará evidenciado que a troca ocorreu entre crianças mortas. Neste caso, serão utilizados novamente exames de DNA das três crianças mortas exumadas e de suas mães – o teste já havia sido solicitado anteriormente.
“Como não temos o DNA de apenas um dos quatro bebês mortos, vamos trabalhar com exclusão”, completa o médico. Os resultados inconclusivos de DNA foram remetidos ao 3.º Distrito Policial, que conduz a investigação do caso. O delegado Silberto Sevilha Martins, titular do 3.º DP, explica que o delegado responsável pelo inquérito, Ismael Cavalieri, está em férias. Mas assim que ele retornar, deverá solicitar à Justiça autorização para fazer teste de DNA em todas as mulheres que deram à luz na Maternidade Santa Isabel no mesmo dia que Vera Lúcia.
Ele adianta que o exame será feito usando amostras de células da mucosa das bocas das mães, que é mais simples que o de sangue.
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Longa espera
Há quase cinco anos, Reginaldo e Vera Lúcia convivem com a agonia de não saber se o filho está vivo ou realmente morreu. Mas para eles, o mais difícil foi a primeira etapa, quando a troca de bebês era apenas uma suposição.
“Agora a gente está mais confiante porque o poder público sabe que houve a troca de crianças. Antes, achavam que a gente estava errado, mentindo”, diz Reginaldo. “Queremos é saber a verdade: se o nosso filho morreu – e onde está enterrado – ou se está vivo e onde está”, frisa.
Aliás, ele não descarta a possibilidade de seu filho ter sido trocado para um esquema de venda de bebês. “Já recebi ameaça. Uma pessoa, que disse ser advogada, me ligou há uns meses e disse que meu filho foi vendido, que inclusive está fora do Brasil, mas que seria devolvido, que não era para continuar a investigação que eles iriam devolver”, diz, ressaltando que não conseguiu captar o número do telefone usado. “Era um número restrito”, completa.