O desentendimento entre a família de um eletricitário que morreu recentemente e o advogado que o representava acabou com todos os envolvidos no Plantão de Polícia, na noite de ontem.
A família foi até a polícia sentindo-se lesada pelo advogado que, segundo os filhos do eletricitário, Érica, Adriane e Márcio Castro Magalhães, teria recebido o dinheiro de uma ação previdenciária e, intencionalmente, não o teria repassado aos herdeiros. A intenção era registrar um boletim de ocorrência por apropriação indébita.
Também no Plantão para “resolver a questão”, o advogado Marimárcio Petrucio diz que o valor não foi entregue à família porque, com a morte do beneficiário, seria necessária a abertura de um inventário e que algum dos familiares se tornasse inventariante.
A versão de Petrucio é contestada pelos filhos do eletricitário. De acordo com Érica, o valor da indenização a que seu pai teria direito foi retirado junto ao INSS pelo advogado no último dia 2, quando o eletricitário ainda estava vivo. Os filhos possuem a cópia da retirada do dinheiro que comprova que o valor líquido de R$ 19.762,17 (descontado o Imposto de Renda) foi recebido pelo advogado na data.
Segundo os filhos, do dia 2 até ontem, Petrucio teria afirmado que iria pagá-los, mas em valor de cerca de R$ 13,7 mil, devido aos descontos dos seus honorários. Os filhos alegam que o montante correto, mesmo com os descontos, seria de cerca de R$ 16,7 mil. “Ele ligou pra gente e disse que estava com esse valor para o meu pai receber”, diz Érica.
Petrucio não nega ter entrado em contato com os filhos, mas diz que, após receber o dinheiro, ao ser informado que o estado de saúde do eletricitário era grave, teria sugerido que um curador fosse nomeado para o recebimento do dinheiro, o que não foi feito pela família. Ele diz que só ficou sabendo da morte do cliente ontem, ao falar com a viúva, para quem teria dito que seria necessário um inventariante.
O advogado também se defende dizendo que o valor dos honorários é determinado por contrato e que ele tem todos os documentos que comprovariam sua inocência no caso. Petrucio afirma que pretende depositar o valor recebido em juízo na segunda-feira.
Para a família, as palavras do advogado não passam de desculpas para o não pagamento do valor. Para Márcio, Petrucio poderia ter pago o dinheiro desde o dia 2.
Todos os envolvidos foram ouvidos pelo delegado no Plantão Policial, onde foi lavrado um boletim de ocorrência por calúnia, difamação e apropriação indébita, e liberados em seguida. O caso deve ser investigado pela polícia.